Deus é Autossuficiente

“No princípio criou Deus…” Gn 1.1

Não havia nenhum “antes” do princípio. Deus não foi criado por ninguém. Se houvesse um alguém que determinasse a existência de Deus, esse “alguém” que seria Deus.  Deus é Deus, Ele é Eterno, não tem princípio nem fim. Deus é o que Ele é. Ele não depende de qualquer coisa para existir, Ele é autoexistente.

Deus é suficiente em si mesmo. Ele não necessita do favor dos anjos, serafins e querubins, muito menos do homem. Ninguém pode reduzi-lo a um espaço porque Ele não tem limites. Nenhuma mente humana é capaz de imaginá-lo porque Ele é infinitamente mais do que a imaginação pode atribuí-lo. Ninguém pode representá-lo com imagens, isso seria uma grande tolice. Os limites do  universo são desconhecidos pelos maiores cientistas e estudiosos de todas as eras, e como conhecer o seu Criador?

Por tudo que Deus É, por todos os seus inumeráveis atributos, somente Ele pode entender as necessidades do homem e somente nEle é que o ser criado  pode encontrar tudo o que precisa e toda a satisfação que sua  alma anseia, a plenitude da alegria. Deus é a fonte de todo o bem. Mas o homem cria seus próprios deuses, tornando-se deus de seus deuses. São deuses que não têm vida em si mesmos e precisam do “seu deus”, do homem, seu criador.  O homem, obstinado e  obscurecido pelo desconhecimento de Deus, busca satisfação para a sua pobre alma em seus deuses ilusórios e vive  em uma frustrante busca de prazer e constante insatisfação.

Apesar da grandeza de Deus, Ele é um Deus de amor. A prova do seu amor é Jesus, que é a expressão exata do seu ser. Através de Jesus, o homem pode ter livre acesso ao Pai e ter com Ele um relacionamento  paternal de intimidade e comunhão. Jesus, no princípio, estava presente na obra da criação, ele estava com Deus, ele é Deus. Jesus  pode restaurar a alma do homem e fazê-la abundar de alegria, sem necessidade de usar de subterfúrgios para encontrá-la. O homem que tem um relacionamento verdadeiro com Deus e a sua Palavra, não precisa buscar prazer nos vícios, no sexo, nos bens, no poder ou nas pessoas.  Jesus é suficiente para satisfazer o homem em suas buscas  com tudo que ele realmente precisa. Jesus não é uma religião ou um dogma, mas uma pessoa, é relacionamento, é o caminho, é a verdade absoluta, é a vida.  Ele é o único Deus, é tudo que o homem precisa!

Por que ser grato a Deus?

Em tudo dai graça, pois esta é a vontade de Deus para vocês. 1 Ts 5.18

Sejamos práticos, antes de pedirmos a bênção de de Deus para 2020, façamos uma lista das pequenas e grandes coisas  que recebemos em 2019. E não peçamos nada para 2020,  antes de agradecermos por cada uma delas. E as desagradáveis? Motivo também de  graças a Deus, não por elas, mas, apesar delas, porque  o Deus que confiamos é imutável e sempre digno de toda gratidão, poder, honra e glória, independente de circunstâncias. Todos nós somos feituras de Deus, e somente nEle encontramos razão e sentido para a vida. Quando estamos em Cristo, os problemas são explicados e solucionados. O que é impossível ao homem, diante de Deus há resposta para todas as demandas.

A nossa caminhada é pontilhada pelo favor de Deus. Todos os dias, temos  inúmeros  motivos de gratidão. A gratidão revela confiança em Deus e  traz à memória todo o bem recebido. Alguns, até agradecem a Deus quando as coisas estão indo bem, mas, em meio à tempestade esquecem de todo o bem recebido e soltam uma onda de reclamações. A murmuração não muda as circunstâncias, mas, com ela,  são agravadas.

Outros, mesmo diante das bênçãos recebidas, não reconhecem que elas provieram de Deus e não se lembram de render-Lhe graças;  é o caso dos dez leprosos que foram curados por Jesus  enquanto iam se mostrar ao sacerdote. Apenas um voltou para dar graças a Deus. Jesus estranhou o fato de apenas um retornar com o coração agradecido, em uma proporção muito aquém do que deveria ser.  A lepra era uma doença muito maldita, os leprosos eram considerados imundos e, por isso, afastados do convívio da família e da comunidade. Ser curado da lepra era o que o doente mais almejava, era  o resgate da  própria vida, era um salto da  morte para vida, da humilhação para a glória. Como alguém poderia receber tão grande favor e ignorar o doador? Será que a cura para os nove não foi significativa?

A história dos dez leprosos  leva-nos a refletir sobre nós mesmos. Lembremos o quanto temos recebido de Deus no decorrer da nossa caminhada, em especial, neste ano de 2019.  Sondemos o nosso coração e vejamos se temos sido honestos com Deus, reconhecendo cada favor que Ele nos tem dispensado e reconhecendo cada pessoa que Ele tem usado para nos abençoar. Todos temos recebido, grandes coisas ou pequenas. Aprendamos a ser gratos também nas  pequenas coisas, para que Deus possa nos confiar coisas maiores.

Por que dar graças? Porque revela as verdadeiras intenções do coração.  Dar graças a Deus indica que reconhecemos que toda boa dádiva provém dEle e por Ele tudo foi feito e  deve voltar para Ele. Porque Ele É.  Que sem Ele não podemos fazer nada e dependemos dEle em tudo.  A vida perde o sentido quando não aprendemos a glorificar a Deus, porque sem gratidão tudo se perde em sua efemeridade, mas o que é feito em Deus e para Ele ganha um sentido eterno. Dar graças a Deus em tudo é trilhar o caminho da sabedoria. Que 2020 seja um ano de muita gratidão a Deus e que lembremos em todo o momento dos seus benefícios.

Que Rei é esse!

“…eis que uns magos vieram do Oriente à Jerusalém e perguntaram: Onde está aquele que é nascido Rei dos judeus? Porque vimos a sua estrela e viemos a adorá-lo”. Mt 2.2

Que é Rei é esse! Que nasce em um estábulo, que seu primeiro berço é uma manjedoura.  Um Rei que nasceu com o propósito de morrer por todos os homens. Um Rei que foi perseguido e não pode ficar em sua própria terra e teve que fugir para o Egito. Que Rei é esse! Que causou tanta inquietação em Herodes,  que determinou que  as crianças da Judeia, até dois anos de idade, fossem mortas. Que Rei é esse! Um Rei que em seu nascimento aparece um coral de anjos cantando para o seu louvor! Que uma estrela aparece no céu e guia alguns homens a irem até ele para adorá-lo e levá-lo presentes.

Deus sempre  trabalha de forma inusitada e nem sempre é compreensível às razões humanas. Deus enviou o seu Filho Jesus ao mundo,  o Rei dos judeus, que, pela lógica humana,  deveria nascer em um palácio, mas nasceu em um estábulo, por isso, os que o esperavam e estavam perto  não o perceberam.  Assim, Deus ensina que o que vale é a essência das coisas, não a aparência.  Deus fez questão de avisar a pessoas  bem distantes e alheias à comunidade de Israel  sobre o  nascimento de Jesus, através de uma estrela. Os magos eram gentios, não possuíam nenhum conhecimento teológico, mas, certamente, tinham o desejo de conhecer a verdade. Outros, aqueles que estavam perto,  tinham a Lei e os profetas, eram conhecedores das profecias que apontavam para a vinda do Messias, mas  não atentaram para o tempo da visitação de Deus.  Isso nos mostra que conhecimento sem o desejo de ter um coração agradável a Deus não é suficiente. Que Rei é esse! Não era um rei qualquer. Apesar de nascer de forma incomum e sem pompa, Ele era aquele que já existia desde a fundação de mundo, era a própria revelação de Deus, esse Rei era Deus. Tantos buscam títulos, fama, posição e poder, mas Ele, o maior de todos e sobre todos, não há mais ninguém sobre Ele. Ele mesmo É!  Por Ele e para Ele são todas as coisas.

Que Rei é esse! Esse é Jesus, o Cordeiro de Deus, o presente de Deus, o sacrifício vivo, fruto do amor de Deus. O amor que amou o mundo, a todos, sem exceção, para que tivessem vida eterna e pudessem desfrutar de um relacionamento com Deus, relacionamento que foi quebrado no Éden pela dureza do coração do homem. Jesus nasceu para trazer a paz entre Deus e os homens. Jesus é a maior prova do amor de Deus. Jesus morreu por todos, mas nem todos são salvos. O amor de Deus é incondicional, mas o relacionamento é condicional. O relacionamento com Deus exige algumas condições, segundo o padrão do próprio Deus. Deus continua hoje amando o homem, através do seu Filho,  e buscando com ele um relacionamento paternal de amor e confiança. Jesus nasceu para reconciliar o homem com Deus através da sua morte na cruz. Precisamos, não apenas saber sobre esta verdade, mas absorvê-la  em nosso viver para que tenhamos uma vida abundante de alegria e completa, proporcionada por um relacionamento com Deus.

 

Cura para o coração

 E o Senhor te guiará continuamente, e fartará a tua alma em lugares áridos, e fortificará os teus ossos; e serás como um jardim regado, e como um manancial, cujas águas nunca faltam. E os que de ti procederem edificarão as antigas ruínas; e levantarás os fundamentos de geração em geração; e chamar-te-ão reparador de roturas e restaurador de veredas para morar. Isaías 58.11-12

As promessas do Senhor para aqueles que confiam nele sempre são grandiosas. Esta é uma Palavra de Deus, através do profeta Isaías, preciosa para a alma humana. Felizes os que se deixam guiar pelo Senhor Deus, através do seu Santo Espírito. Com a queda  do homem, a corrupção o atingiu afetando seu corpo, alma e espírito. O homem, naturalmente, é um ser adoecido por toda sorte de mazelas, seja individual ou social, e o poder curador só existe em Deus, através de Jesus que veio para resgatar o homem dos seus pecados e fazê-lo nova criatura.

Toda a humanidade está corrompida, e os filhos dos homens  carregam uma série de desajustes emocionais decorrentes da sua herança adâmica, somando-se aos traumas sofridos no útero materno, após o nascimento e na vida infantil. Dependendo da forma como as crianças foram tratadas, a educação,  o afeto  e o cuidado  que receberam ou deixaram de receber, transformam-nos em adultos adoecidos emocionalmente, com maiores ou menores traumas. Todos os corações precisam de cura. Hoje, muitos adultos estão sem rumo na vida, sem esperança, sem confiança neles mesmos e nos outros, sem um propósito e até sem forças para continuarem a viver naturalmente. Suas vivências podem levá-los à  depressão e perderem o sentido da vida. Em termos globais, estima-se que o suicídio já é uma causa de morte até maior que os assassinatos, mas, na maioria das vezes, é mascarado por outras causas, sem se poder ter uma estimativa mais próxima da realidade. Todo ser humano tem necessidade de ser amado e, em primeiro lugar, deveria receber amor dos seus pais, como a primeira figura de autoridade sobre as suas vidas, mas eles falham, como todas as outras. Não existem pais perfeitos nem qualquer outra liderança perfeita. O homem busca amor em diferentes fontes para supri-lo dessa carência, mas nada pode preenchê-lo, a não ser o amor de Deus. Não há alegria e satisfação fora de Deus e da sua vontade.

Mesmo diante do caos que mergulhou o ser humano, a Palavra de Deus garante que Deus pode fartar a alma em lugares áridos. A promessa de Deus está disponível para todos, basta crer e se apropriar dela.  Ele tem poder para  restaurar a alegria e  trazer vida no caos, uma vida que faz os ossos fortes. O rei Salomão escreveu  que um coração alegre aformoseia  o rosto, e um espírito triste faz secar os ossos.  A alma que recorre ao Senhor, pode ter o seu deserto transformado em um jardim bem cuidado e uma fonte de água inesgotável, e a promessa de Deus estende-se para os filhos e filhos dos filhos, eles edificarão os que procederem deles, porque esperam  em Deus e são continuamente guiados por ele.

O amor de Deus é a cura, é o único remédio que cura as dores do coração!

Jesus, o professor excelente

Jesus é sem dúvidas o maior mestre de todos os tempos. Ele não fez diferença apenas por seus métodos de ensino, mas também pela originalidade do que ensinou.

Jesus ensinou sobre a vida, o bem maior do homem. A sua mensagem não era apenas sobre as coisas corriqueiras, palpáveis e visíveis, mas a sua ênfase estava naquilo que tinha valor eterno. Por isso, seus ensinos são duradouros e atravessam as gerações, em sua forma mais atual. O interessante é que os princípios ensinados não pertencem a um único povo, mas são praticáveis em qualquer língua, povo ou nação. São ensinos que vão além da dimensão e práticas da vida transitória do homem. Por sua essência de valor eterno, seus ensinos alcançam a alma e dão vida ao espírito humano. Ele mesmo disse: “As palavras que vos tenho falado, são espírito e vida”. São princípios que saltam para a eternidade, que constroem; observando-os, o homem viverá por eles. Alguns que o ouviam, falavam que ele ensinava como quem tinha autoridade, ele era detentor de toda a sabedoria, e não era à toa que as multidões o seguiam se deleitavam em suas palavras que fluíam como uma fonte vivificadora.

Jesus não cursou nenhuma faculdade de Pedagogia, mas foi o melhor professor, não fez nenhuma disciplina de didática, mas tinha sempre os melhores métodos, não estudou Filosofia, mas jorrava conhecimento sobre os pensamentos e vivências do homem, não cursou Psicologia, mas entendia tudo sobre a alma humana, suas lutas e anseios mais profundos. Ensinava com a mesma eficiência e dedicação uma “classe cheia” ou com um único aluno. Compadeceu-se de uma multidão de cinco mil homens, dando-lhes pão para comer depois de lhes ensinar , mas gastou tempo também com uma única mulher, apontando-lhe o caminho da vida eterna. Era direto com os incautos, trazendo-lhes lições de vida e sabedoria, identificando-se com suas dores, sarando suas feridas e libertando-os do jugo do opressor. Com os religiosos hipócritas, detentores da lei, mas não cumpridores, confundiam-nos com suas parábolas ou alegorias, às vezes, contra eles mesmos. Levantavam-se com perguntas para embaraçá-lo, mas eles se surpreendiam com suas respostas que destilavam sabedoria e conhecimento. A sua paz e alegria contagiava os seus discípulos, mas muitas vezes eles não entendiam sua bondade, sua paciência, seu domínio próprio e grande compaixão por seu povo que era como ovelhas que não têm pastor.O zelo pelas coisas do seu Pai o consumia, não hesitou em corrigir aqueles que teimavam em profanar o templo, usando um chicote para expulsá-los. Zelava por suas amizades e sabia se relacionar com o justo e o pecador, com o rico e pobre. Conhecia as pessoas muito bem, e aplicava lições segundo as suas necessidades individuais.

O mal e o bem caminham para destinos antagônicos, mas o mal sempre tenta assediar o bem. Jesus como o melhor Mestre foi também vítima de inveja, traído, acusado injustamente e crucificado. Sua morte não foi o fim, mas o início de um novo tempo, “depois de Cristo”. Como o maior de todos os líderes, Jesus não se deteve apenas a ensinar, mas formou discípulos que perpetuaram os seus ensinos através das gerações, e com o método inicial, discípulo formando discípulo. Jesus foi o maior mestre e líder de todos os tempos e a sua maior diferença entre outros, é que Ele depois de dois mil anos, continua o mesmo mestre. Ele está vivo e continua ensinando e atraindo vidas para encher a casa do seu Pai. Jesus, o mestre mais excelente!

Renovação da mente

Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita bondade de Deus. Rm 12.2

 A expressão “renovação da sua mente” é a chave deste versículo. O apóstolo Paulo começa com a negativa “não” de forma bem enfática quanto ao que não se deve fazer: “Não se amoldem ao padrão deste mundo”. O cristão não deve comungar com os padrões do mundo, a sua vida deve ser regida pelos valores do Reino de Deus. Tiago escreveu que a amizade do mundo é inimizade contra Deus e ser amigo do mundo é ser inimigo de Deus. Tg 4.4. O mundo está sob o domínio de satanás; o ap João em sua primeira carta diz que todo o mundo está no maligno. 1 Jo 5.19. O sistema mundano é responsável por criar homens e mulheres com mentes entenebrecidas em seus entendimentos  que geram pensamentos e atitudes contrários ao propósito de Deus para cada um.

O que se deve fazer para estar no mundo, mas não ser do mundo nem se se deixar  influenciar por ele? Renovar a mente. Buscar uma mente semelhante à de Cristo. Com o novo nascimento, o homem é inserido no Reino de Deus, não deve mais se conformar com os valores deste mundo porque são totalmente avessos ao padrão do Reino de Deus. “O Reino de Deus não é comida nem bebida, mas paz e alegria no Espírito Santo”. Rm 14.17. Paz e alegria são estados de espírito que as pessoas têm mais falta e correm desesperadamente em sua busca, mas são dádivas que só podem ser encontradas em Jesus. A paz e a alegria habitam   em um espírito nascido de novo e em harmonia com o Espírito Santo. Uma mente renovada busca as coisas do alto, deleita-se em agradar a Deus e fazer a sua vontade. As mazelas que geram dor e traumas foram cravadas na cruz. O amor de Jesus traz libertação e cura à alma através do perdão divino. O homem que recebe perdão dos pecados pessoais, através do sangue de Jesus, é livre para estender o perdão a todos que o ofenderam, isso é libertador e gerador de paz e alegria.  Somente uma mente renovada, pode experimentar o melhor de Deus, pode provar da sua boa , agradável e perfeita vontade.

Buscar a renovação da mente é escolher o caminho da sabedoria.

As aparências enganam

Porém o Senhor disse a Samuel: Não atentes para a sua aparência nem para a sua altura, pois eu o rejeitei. O Senhor não vê como o homem: o homem vê a aparência, mas o Senhor vê o coração. 1 Samuel 16.7

O homem, em suas limitações, vê o mundo e as pessoas através da percepção dos olhos. Vê apenas o que a sua visão alcança, o que é delimitado pelo que é visível no campo material. Mas o que é real, o que de fato existe, é muito mais que os olhos podem perceber .

Samuel, o profeta de Deus, foi incumbido de ungir um rei para Israel no lugar de Saul. Saul era um rei de grande formosura que se sobressaia a todos os outros homens de Israel, mas Deus o rejeitou porque seu coração não era reto diante dEle. O profeta foi enviado à casa de Jessé para ungir um dos seus oito filhos. O primeiro filho de Jessé, que passou diante de Samuel, o impressionou por sua beleza, mas não era o escolhido e, assim, todos os outros que lhe foram apresentados. Apesar de Samuel ser um profeta, a sua visão era limitada, ele só via o exterior. Com Deus não é assim, o que vale para Ele vai além do que os olhos alcançam.

Depois de ter conhecido os sete filhos de Jessé, Samuel surpreendeu-se por Deus não ter escolhido nenhum dentre eles. Mas ele sabia que Deus não cometeria nenhum engano, Jessé poderia ter algum outro filho que não fora convidado ao banquete e perguntou ao pai se ele tinha mais algum filho. Sim, Davi, o mais moço, que estava no campo cuidando das ovelhas. Deus não olha para a idade, Ele olha para o interior e não despreza um coração alinhado com a sua vontade. Davi foi chamado, talvez não estivesse vestido adequadamente para aquela ocasião, e sua aparência jamais se adequaria ao padrão dos homens para ser rei de Israel, se tivesse de ser escolhido por qualquer um deles. Deus disse a Samuel: É este, pode ungi-lo. E aproveitou para aplicar um aprendizado na vida do profeta. Eu vejo além, Samuel. Você vê o exterior, eu esquadrinho o coração, conheço o que está no íntimo, o que o move, suas intenções, suas atitudes em relação a mim. Davi tem um coração que é totalmente agradável na minha presença. Ele me conhece e confia em mim.

Apesar de Davi ter um coração agradável a Deus, talvez a sua aparência externa não era melhor que a dos seus irmãos e, por ser o mais novo, não era o melhor na avaliação dos homens para assumir qualquer cargo de grande importância. Era tanto assim, que Davi não estava presente no banquete que Jessé fez para Samuel conhecer seus filhos, ele estava sendo rejeitado por seu próprio pai. Todos podem se enganar, até um profeta pode não enxergar além dos que os olhos veem, mas Deus não se engana e Ele vai buscar aquele que ele quer, ainda que escondido atrás da malhada.

Como o alcance dos olhos dos homens é limitado, o julgamento humano é falho. O homem desconhece as verdadeiras intenções do coração do seu próximo. Julgar as ações dos homens é normal, mas muitas vezes julga-se também o coração, com total desconhecimento do que por natureza é imperceptível. O homem escolhe mal quando se limita unicamente na aparência das pessoas, por isso, há necessidade da total dependência de Deus. Essa lição deve também retirar de cada um o fardo de querer mostrar aos outros o que não se é interiormente. Viver de aparências é uma atitude tola, já que ninguém escapa dos olhos de Deus que conhece todos, além do que o homem conhece de si mesmo.

Gratidão

Gratidão é reconhecimento por algum benefício recebido. É honrar alguém por seus favores. Há inúmeros motivos de gratidão a Deus. Todos os homens deveriam ser gratos ao Soberano Deus, Criador do Universo. Ele é bom com os justos e injustos. O seu sol nasce para todos e a sua chuva desce sobre todos os filhos dos homens. Deus é Deus e todos os seres que respiram devem a Ele adoração.

Apesar da incomparável bondade de Deus, a ingratidão permeia os corações humanos. A murmuração e as afrontas contra Ele, com palavras ou atitudes, têm marcado esta geração. Vivemos os dias maus, sobre os quais o apóstolo Paulo profetizou. Dias de homens e mulheres ingratos que ignoram Deus e não veem motivos para render-lhe graças. A ingratidão revela o que está no interior do homem. Um coração ingrato indica um caráter desalinhado com o que é justo e bom.

Será que existem situações que podem justificar a ingratidão a Deus? Não, não existem. Ele é digno de toda ação de graças em toda e qualquer circunstância. “Em tudo dai graças” é o que a epístola paulina aos Tessalonicenses instrui. Aprender a dar graças a Deus em toda e qualquer situação é agradável diante do Senhor e traz o coração livre de amargura contra Deus ou qualquer pessoa. Um coração grato vê o mundo e as pessoas com os olhos de Deus e encontra espaço para exercitar o amor, a gratidão, o perdão, a misericórdia e não há lugar para o azedume. A gratidão a Deus extrai das pessoas o bem. Um coração grato saltita de alegria por onde quer que vá porque o que importa é Deus e o seu favor. A fé que está firmada no conhecimento e bondade de Deus é capaz de transformar as agruras da vida em tijolos que contribuirão para galgar novas possibilidades e, essa confiança, inabalável, levar a uma atitude contínua de gratidão.

A adoração é a expressão de um coração grato a Deus. Deus é o Criador de todas as coisas e Ele criou o homem com o propósito de ter comunhão e receber adoração desse homem, uma adoração racional, em espírito e em verdade. O espírito transcende às coisas visíveis, está na dimensão sobrenatural, e é nesse nível que se dá a comunicação entre Deus e o homem. Deus é Espírito, seus adoradores devem adorá-lo em espírito e em verdade. A verdade é a própria Palavra de Deus, é Jesus. Ap 19.13; Jo 14.6. A adoração precisa estar firmada na verdade. Jesus é a revelação do próprio Deus. A verdade leva ao conhecimento de Deus, do que Ele é e do seu caráter. O homem é espírito, alma e corpo, mas o relacionamento com Deus se dá através do espírito. Por isso, há necessidade de um novo nascimento, de um espírito vivificado do homem, através da fé em Jesus.

Cultivemos um coração grato e, assim, ofereçamos a Deus uma perfeita adoração consciente dos seus feitos poderosos e do que Ele É.

Por que, ó alma!

O espírito está pronto, fraca a carne é. E tu, alma, por que teimas em se distanciar do teu Deus e preferes andar por lugares baixos? O espírito está pronto e tu, alma? Por que preferes o caminho da desolação e da morte? Fala sobre teus amigos. Responde-me, alma, com quem andas e te digo como estás. Andas com o medo? O orgulho é a tua companhia, ó alma?

Como estás desolada, ó alma minha! Sinto a tua dor gritar no peito. As tuas forças se esvaíram. Abatida estás!

Ó minha alma, levanta-te! Lança de sobre ti todo o jugo. Olha para cima! Há uma janela de luz que podes contemplar. É a glória do teu Deus! Prostra-te. Adora. Deixa que a luz de Deus dissipe as trevas. Voa nas asas da adoração até a sua presença.

O teu lugar, ó alma, é nas alturas. Diante do Trono de Deus!

O Deus que vê

Este foi o nome que Hagar deu ao Senhor que lhe havia falado: Tu és o Deus que me vê, pois dissera: Teria eu visto Aquele que me vê? Gn 16.13

Independente dos erros humanos, Deus atenta e se move em favor do necessitado. Foi assim com Hagar. Nunca foi propósito de Deus, Abraão coabitar com Hagar e ter um filho com ela. Hagar era serva de Sara e sua senhora a entregou ao seu marido para que gerasse um filho, já que a promessa de Deus tardava em se cumprir. Os leitores da Bíblia conhecem as consequências desse erro. Até hoje, os descendentes de Ismael e Isaque vivem em constantes conflitos.

Hagar foi alvo da misericórdia de Deus. Ela foi introduzida, não por sua vontade, no conflito entre Sara e Abraão. Hagar estava orgulhosa pelo fato de não ser estéril e poder gerar. E Sara, apesar de ter sugerido a gravidez de Hagar, sentia-se desolada por sua incapacidade de gerar filhos. Injustamente, Sara perseguiu Hagar que fugiu por não suportar as humilhações de sua senhora. Sozinha no deserto, junto a uma fonte de água, Hagar foi encontrada pelo anjo do Senhor, que lhe fez promessas sobre o menino que estava no seu ventre, animou-a e lhe disse para se humilhar e voltar para a sua senhora. Hagar saiu revigorada e grata a Deus por ter visto a sua aflição e tê-la socorrido em sua aflição. A onisciência de Deus faz com que Ele veja todas as coisas, por isso, Ele pode julgar com equidade todas as demandas dos homens. Nada ficará sem o juízo de Deus e ninguém ficará impune aos seus próprios erros ou sem recompensa dos seus atos de fé.

A promessa de Deus para Abraão e Sara era Isaque. E no tempo determinado por Ele, Abraão com cem anos e a estéril Sara, aos 90 anos, deu a luz a Isaque. Apesar do erro do casal, Deus permaneceu fiel a sua incondicional promessa. Se formos infiéis, Ele permanece fiel porque não pode negar a si mesmo. 2 Tm 2.13

Os homens, comumente, são levados aos desertos ao decorrer da vida. Deus é aquele que tudo vê. Ele vê a aflição e escuta a cada um, basta crer com um coração sincero e humilde, reconhecendo que para Deus não há impossíveis. O homem não está só em suas necessidades, qualquer um pode recorrer, como Hagar, ao Deus que tudo vê!