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Cura para o coração

 E o Senhor te guiará continuamente, e fartará a tua alma em lugares áridos, e fortificará os teus ossos; e serás como um jardim regado, e como um manancial, cujas águas nunca faltam. E os que de ti procederem edificarão as antigas ruínas; e levantarás os fundamentos de geração em geração; e chamar-te-ão reparador de roturas e restaurador de veredas para morar. Isaías 58.11-12

As promessas do Senhor para aqueles que confiam nele sempre são grandiosas. Esta é uma Palavra de Deus, através do profeta Isaías, preciosa para a alma humana. Felizes os que se deixam guiar pelo Senhor Deus, através do seu Santo Espírito. Com a queda  do homem, a corrupção o atingiu afetando seu corpo, alma e espírito. O homem, naturalmente, é um ser adoecido por toda sorte de mazelas, seja individual ou social, e o poder curador só existe em Deus, através de Jesus que veio para resgatar o homem dos seus pecados e fazê-lo nova criatura.

Toda a humanidade está corrompida, e os filhos dos homens  carregam uma série de desajustes emocionais decorrentes da sua herança adâmica, somando-se aos traumas sofridos no útero materno, após o nascimento e na vida infantil. Dependendo da forma como as crianças foram tratadas, a educação,  o afeto  e o cuidado  que receberam ou deixaram de receber, transformam-nos em adultos adoecidos emocionalmente, com maiores ou menores traumas. Todos os corações precisam de cura. Hoje, muitos adultos estão sem rumo na vida, sem esperança, sem confiança neles mesmos e nos outros, sem um propósito e até sem forças para continuarem a viver naturalmente. Suas vivências podem levá-los à  depressão e perderem o sentido da vida. Em termos globais, estima-se que o suicídio já é uma causa de morte até maior que os assassinatos, mas, na maioria das vezes, é mascarado por outras causas, sem se poder ter uma estimativa mais próxima da realidade. Todo ser humano tem necessidade de ser amado e, em primeiro lugar, deveria receber amor dos seus pais, como a primeira figura de autoridade sobre as suas vidas, mas eles falham, como todas as outras. Não existem pais perfeitos nem qualquer outra liderança perfeita. O homem busca amor em diferentes fontes para supri-lo dessa carência, mas nada pode preenchê-lo, a não ser o amor de Deus. Não há alegria e satisfação fora de Deus e da sua vontade.

Mesmo diante do caos que mergulhou o ser humano, a Palavra de Deus garante que Deus pode fartar a alma em lugares áridos. A promessa de Deus está disponível para todos, basta crer e se apropriar dela.  Ele tem poder para  restaurar a alegria e  trazer vida no caos, uma vida que faz os ossos fortes. O rei Salomão escreveu  que um coração alegre aformoseia  o rosto, e um espírito triste faz secar os ossos.  A alma que recorre ao Senhor, pode ter o seu deserto transformado em um jardim bem cuidado e uma fonte de água inesgotável, e a promessa de Deus estende-se para os filhos e filhos dos filhos, eles edificarão os que procederem deles, porque esperam  em Deus e são continuamente guiados por ele.

O amor de Deus é a cura, é o único remédio que cura as dores do coração!

Jesus, o professor excelente

Jesus é sem dúvidas o maior mestre de todos os tempos. Ele não fez diferença apenas por seus métodos de ensino, mas também pela originalidade do que ensinou.

Jesus ensinou sobre a vida, o bem maior do homem. A sua mensagem não era apenas sobre as coisas corriqueiras, palpáveis e visíveis, mas a sua ênfase estava naquilo que tinha valor eterno. Por isso, seus ensinos são duradouros e atravessam as gerações, em sua forma mais atual. O interessante é que os princípios ensinados não pertencem a um único povo, mas são praticáveis em qualquer língua, povo ou nação. São ensinos que vão além da dimensão e práticas da vida transitória do homem. Por sua essência de valor eterno, seus ensinos alcançam a alma e dão vida ao espírito humano. Ele mesmo disse: “As palavras que vos tenho falado, são espírito e vida”. São princípios que saltam para a eternidade, que constroem; observando-os, o homem viverá por eles. Alguns que o ouviam, falavam que ele ensinava como quem tinha autoridade, ele era detentor de toda a sabedoria, e não era à toa que as multidões o seguiam se deleitavam em suas palavras que fluíam como uma fonte vivificadora.

Jesus não cursou nenhuma faculdade de Pedagogia, mas foi o melhor professor, não fez nenhuma disciplina de didática, mas tinha sempre os melhores métodos, não estudou Filosofia, mas jorrava conhecimento sobre os pensamentos e vivências do homem, não cursou Psicologia, mas entendia tudo sobre a alma humana, suas lutas e anseios mais profundos. Ensinava com a mesma eficiência e dedicação uma “classe cheia” ou com um único aluno. Compadeceu-se de uma multidão de cinco mil homens, dando-lhes pão para comer depois de lhes ensinar , mas gastou tempo também com uma única mulher, apontando-lhe o caminho da vida eterna. Era direto com os incautos, trazendo-lhes lições de vida e sabedoria, identificando-se com suas dores, sarando suas feridas e libertando-os do jugo do opressor. Com os religiosos hipócritas, detentores da lei, mas não cumpridores, confundiam-nos com suas parábolas ou alegorias, às vezes, contra eles mesmos. Levantavam-se com perguntas para embaraçá-lo, mas eles se surpreendiam com suas respostas que destilavam sabedoria e conhecimento. A sua paz e alegria contagiava os seus discípulos, mas muitas vezes eles não entendiam sua bondade, sua paciência, seu domínio próprio e grande compaixão por seu povo que era como ovelhas que não têm pastor.O zelo pelas coisas do seu Pai o consumia, não hesitou em corrigir aqueles que teimavam em profanar o templo, usando um chicote para expulsá-los. Zelava por suas amizades e sabia se relacionar com o justo e o pecador, com o rico e pobre. Conhecia as pessoas muito bem, e aplicava lições segundo as suas necessidades individuais.

O mal e o bem caminham para destinos antagônicos, mas o mal sempre tenta assediar o bem. Jesus como o melhor Mestre foi também vítima de inveja, traído, acusado injustamente e crucificado. Sua morte não foi o fim, mas o início de um novo tempo, “depois de Cristo”. Como o maior de todos os líderes, Jesus não se deteve apenas a ensinar, mas formou discípulos que perpetuaram os seus ensinos através das gerações, e com o método inicial, discípulo formando discípulo. Jesus foi o maior mestre e líder de todos os tempos e a sua maior diferença entre outros, é que Ele depois de dois mil anos, continua o mesmo mestre. Ele está vivo e continua ensinando e atraindo vidas para encher a casa do seu Pai. Jesus, o mestre mais excelente!

Renovação da mente

Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita bondade de Deus. Rm 12.2

 A expressão “renovação da sua mente” é a chave deste versículo. O apóstolo Paulo começa com a negativa “não” de forma bem enfática quanto ao que não se deve fazer: “Não se amoldem ao padrão deste mundo”. O cristão não deve comungar com os padrões do mundo, a sua vida deve ser regida pelos valores do Reino de Deus. Tiago escreveu que a amizade do mundo é inimizade contra Deus e ser amigo do mundo é ser inimigo de Deus. Tg 4.4. O mundo está sob o domínio de satanás; o ap João em sua primeira carta diz que todo o mundo está no maligno. 1 Jo 5.19. O sistema mundano é responsável por criar homens e mulheres com mentes entenebrecidas em seus entendimentos  que geram pensamentos e atitudes contrários ao propósito de Deus para cada um.

O que se deve fazer para estar no mundo, mas não ser do mundo nem se se deixar  influenciar por ele? Renovar a mente. Buscar uma mente semelhante à de Cristo. Com o novo nascimento, o homem é inserido no Reino de Deus, não deve mais se conformar com os valores deste mundo porque são totalmente avessos ao padrão do Reino de Deus. “O Reino de Deus não é comida nem bebida, mas paz e alegria no Espírito Santo”. Rm 14.17. Paz e alegria são estados de espírito que as pessoas têm mais falta e correm desesperadamente em sua busca, mas são dádivas que só podem ser encontradas em Jesus. A paz e a alegria habitam   em um espírito nascido de novo e em harmonia com o Espírito Santo. Uma mente renovada busca as coisas do alto, deleita-se em agradar a Deus e fazer a sua vontade. As mazelas que geram dor e traumas foram cravadas na cruz. O amor de Jesus traz libertação e cura à alma através do perdão divino. O homem que recebe perdão dos pecados pessoais, através do sangue de Jesus, é livre para estender o perdão a todos que o ofenderam, isso é libertador e gerador de paz e alegria.  Somente uma mente renovada, pode experimentar o melhor de Deus, pode provar da sua boa , agradável e perfeita vontade.

Buscar a renovação da mente é escolher o caminho da sabedoria.

As aparências enganam

Porém o Senhor disse a Samuel: Não atentes para a sua aparência nem para a sua altura, pois eu o rejeitei. O Senhor não vê como o homem: o homem vê a aparência, mas o Senhor vê o coração. 1 Samuel 16.7

O homem, em suas limitações, vê o mundo e as pessoas através da percepção dos olhos. Vê apenas o que a sua visão alcança, o que é delimitado pelo que é visível no campo material. Mas o que é real, o que de fato existe, é muito mais que os olhos podem perceber .

Samuel, o profeta de Deus, foi incumbido de ungir um rei para Israel no lugar de Saul. Saul era um rei de grande formosura que se sobressaia a todos os outros homens de Israel, mas Deus o rejeitou porque seu coração não era reto diante dEle. O profeta foi enviado à casa de Jessé para ungir um dos seus oito filhos. O primeiro filho de Jessé, que passou diante de Samuel, o impressionou por sua beleza, mas não era o escolhido e, assim, todos os outros que lhe foram apresentados. Apesar de Samuel ser um profeta, a sua visão era limitada, ele só via o exterior. Com Deus não é assim, o que vale para Ele vai além do que os olhos alcançam.

Depois de ter conhecido os sete filhos de Jessé, Samuel surpreendeu-se por Deus não ter escolhido nenhum dentre eles. Mas ele sabia que Deus não cometeria nenhum engano, Jessé poderia ter algum outro filho que não fora convidado ao banquete e perguntou ao pai se ele tinha mais algum filho. Sim, Davi, o mais moço, que estava no campo cuidando das ovelhas. Deus não olha para a idade, Ele olha para o interior e não despreza um coração alinhado com a sua vontade. Davi foi chamado, talvez não estivesse vestido adequadamente para aquela ocasião, e sua aparência jamais se adequaria ao padrão dos homens para ser rei de Israel, se tivesse de ser escolhido por qualquer um deles. Deus disse a Samuel: É este, pode ungi-lo. E aproveitou para aplicar um aprendizado na vida do profeta. Eu vejo além, Samuel. Você vê o exterior, eu esquadrinho o coração, conheço o que está no íntimo, o que o move, suas intenções, suas atitudes em relação a mim. Davi tem um coração que é totalmente agradável na minha presença. Ele me conhece e confia em mim.

Apesar de Davi ter um coração agradável a Deus, talvez a sua aparência externa não era melhor que a dos seus irmãos e, por ser o mais novo, não era o melhor na avaliação dos homens para assumir qualquer cargo de grande importância. Era tanto assim, que Davi não estava presente no banquete que Jessé fez para Samuel conhecer seus filhos, ele estava sendo rejeitado por seu próprio pai. Todos podem se enganar, até um profeta pode não enxergar além dos que os olhos veem, mas Deus não se engana e Ele vai buscar aquele que ele quer, ainda que escondido atrás da malhada.

Como o alcance dos olhos dos homens é limitado, o julgamento humano é falho. O homem desconhece as verdadeiras intenções do coração do seu próximo. Julgar as ações dos homens é normal, mas muitas vezes julga-se também o coração, com total desconhecimento do que por natureza é imperceptível. O homem escolhe mal quando se limita unicamente na aparência das pessoas, por isso, há necessidade da total dependência de Deus. Essa lição deve também retirar de cada um o fardo de querer mostrar aos outros o que não se é interiormente. Viver de aparências é uma atitude tola, já que ninguém escapa dos olhos de Deus que conhece todos, além do que o homem conhece de si mesmo.

Gratidão

Gratidão é reconhecimento por algum benefício recebido. É honrar alguém por seus favores. Há inúmeros motivos de gratidão a Deus. Todos os homens deveriam ser gratos ao Soberano Deus, Criador do Universo. Ele é bom com os justos e injustos. O seu sol nasce para todos e a sua chuva desce sobre todos os filhos dos homens. Deus é Deus e todos os seres que respiram devem a Ele adoração.

Apesar da incomparável bondade de Deus, a ingratidão permeia os corações humanos. A murmuração e as afrontas contra Ele, com palavras ou atitudes, têm marcado esta geração. Vivemos os dias maus, sobre os quais o apóstolo Paulo profetizou. Dias de homens e mulheres ingratos que ignoram Deus e não veem motivos para render-lhe graças. A ingratidão revela o que está no interior do homem. Um coração ingrato indica um caráter desalinhado com o que é justo e bom.

Será que existem situações que podem justificar a ingratidão a Deus? Não, não existem. Ele é digno de toda ação de graças em toda e qualquer circunstância. “Em tudo dai graças” é o que a epístola paulina aos Tessalonicenses instrui. Aprender a dar graças a Deus em toda e qualquer situação é agradável diante do Senhor e traz o coração livre de amargura contra Deus ou qualquer pessoa. Um coração grato vê o mundo e as pessoas com os olhos de Deus e encontra espaço para exercitar o amor, a gratidão, o perdão, a misericórdia e não há lugar para o azedume. A gratidão a Deus extrai das pessoas o bem. Um coração grato saltita de alegria por onde quer que vá porque o que importa é Deus e o seu favor. A fé que está firmada no conhecimento e bondade de Deus é capaz de transformar as agruras da vida em tijolos que contribuirão para galgar novas possibilidades e, essa confiança, inabalável, levar a uma atitude contínua de gratidão.

A adoração é a expressão de um coração grato a Deus. Deus é o Criador de todas as coisas e Ele criou o homem com o propósito de ter comunhão e receber adoração desse homem, uma adoração racional, em espírito e em verdade. O espírito transcende às coisas visíveis, está na dimensão sobrenatural, e é nesse nível que se dá a comunicação entre Deus e o homem. Deus é Espírito, seus adoradores devem adorá-lo em espírito e em verdade. A verdade é a própria Palavra de Deus, é Jesus. Ap 19.13; Jo 14.6. A adoração precisa estar firmada na verdade. Jesus é a revelação do próprio Deus. A verdade leva ao conhecimento de Deus, do que Ele é e do seu caráter. O homem é espírito, alma e corpo, mas o relacionamento com Deus se dá através do espírito. Por isso, há necessidade de um novo nascimento, de um espírito vivificado do homem, através da fé em Jesus.

Cultivemos um coração grato e, assim, ofereçamos a Deus uma perfeita adoração consciente dos seus feitos poderosos e do que Ele É.

Por que, ó alma!

O espírito está pronto, fraca a carne é. E tu, alma, por que teimas em se distanciar do teu Deus e preferes andar por lugares baixos? O espírito está pronto e tu, alma? Por que preferes o caminho da desolação e da morte? Fala sobre teus amigos. Responde-me, alma, com quem andas e te digo como estás. Andas com o medo? O orgulho é a tua companhia, ó alma?

Como estás desolada, ó alma minha! Sinto a tua dor gritar no peito. As tuas forças se esvaíram. Abatida estás!

Ó minha alma, levanta-te! Lança de sobre ti todo o jugo. Olha para cima! Há uma janela de luz que podes contemplar. É a glória do teu Deus! Prostra-te. Adora. Deixa que a luz de Deus dissipe as trevas. Voa nas asas da adoração até a sua presença.

O teu lugar, ó alma, é nas alturas. Diante do Trono de Deus!

O Deus que vê

Este foi o nome que Hagar deu ao Senhor que lhe havia falado: Tu és o Deus que me vê, pois dissera: Teria eu visto Aquele que me vê? Gn 16.13

Independente dos erros humanos, Deus atenta e se move em favor do necessitado. Foi assim com Hagar. Nunca foi propósito de Deus, Abraão coabitar com Hagar e ter um filho com ela. Hagar era serva de Sara e sua senhora a entregou ao seu marido para que gerasse um filho, já que a promessa de Deus tardava em se cumprir. Os leitores da Bíblia conhecem as consequências desse erro. Até hoje, os descendentes de Ismael e Isaque vivem em constantes conflitos.

Hagar foi alvo da misericórdia de Deus. Ela foi introduzida, não por sua vontade, no conflito entre Sara e Abraão. Hagar estava orgulhosa pelo fato de não ser estéril e poder gerar. E Sara, apesar de ter sugerido a gravidez de Hagar, sentia-se desolada por sua incapacidade de gerar filhos. Injustamente, Sara perseguiu Hagar que fugiu por não suportar as humilhações de sua senhora. Sozinha no deserto, junto a uma fonte de água, Hagar foi encontrada pelo anjo do Senhor, que lhe fez promessas sobre o menino que estava no seu ventre, animou-a e lhe disse para se humilhar e voltar para a sua senhora. Hagar saiu revigorada e grata a Deus por ter visto a sua aflição e tê-la socorrido em sua aflição. A onisciência de Deus faz com que Ele veja todas as coisas, por isso, Ele pode julgar com equidade todas as demandas dos homens. Nada ficará sem o juízo de Deus e ninguém ficará impune aos seus próprios erros ou sem recompensa dos seus atos de fé.

A promessa de Deus para Abraão e Sara era Isaque. E no tempo determinado por Ele, Abraão com cem anos e a estéril Sara, aos 90 anos, deu a luz a Isaque. Apesar do erro do casal, Deus permaneceu fiel a sua incondicional promessa. Se formos infiéis, Ele permanece fiel porque não pode negar a si mesmo. 2 Tm 2.13

Os homens, comumente, são levados aos desertos ao decorrer da vida. Deus é aquele que tudo vê. Ele vê a aflição e escuta a cada um, basta crer com um coração sincero e humilde, reconhecendo que para Deus não há impossíveis. O homem não está só em suas necessidades, qualquer um pode recorrer, como Hagar, ao Deus que tudo vê!

O Cântico de Maria

“Minha alma engrandece ao Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador, pois atentou na humildade da sua serva. De agora em diante todas as gerações me chamarão bem-aventurada, pois o Poderoso fez grandes coisas em meu favor, Santo é o seu nome. A sua misericórdia estende-se aos que o temem, de geração em geração”. Lc 1.46-50

O coração de Maria era permeado pela gratidão. Apenas um coração grato é capaz de entoar um cântico dessa natureza ao seu Criador e Senhor. Um coração grato sempre vê motivos para agradecer a Deus por sua bondade que se perpetua pelas gerações. Um coração grato não pode ser aprisionado por cordas estranhas, mas apenas pelas cordas do amor. Seu relacionamento com Deus flui livremente. A gratidão traz leveza ao coração e sensibilidade à presença do Espírito Santo.

A alma e o espírito de Maria confundiam-se. Eles formavam a sua identidade, identidade que refletia a glória de Deus porque seu espírito era dominado pelo Espírito Santo de Deus.

Podemos imaginar o desafio que Maria teve que enfrentar, após receber a instrução dada pelo anjo sobre o Filho de Deus que ela geraria em seu ventre. Grande foi sua expectativa! De repente, grávida, sem ter se relacionado sexualmente com qualquer homem. Talvez, o problema maior de todos foi encarar o homem com o qual estava aliançada, além de ser alvo de fofocas, acusações de religiosos e preconceitos da sua comunidade. Lembrando que Maria era apenas uma adolescente. Maria estava desposada de José. Ela já tinha um contrato de casamento, e aguardava apenas o dia da união com o seu esposo, no qual era efetivado. Na cultura judaica, para todos os efeitos, Maria já era uma mulher casada. Se Maria ou José decidisse desistir do casamento, teria que ser por vias legais, semelhantes a um divórcio. Então, Jesus foi gerado em uma família, Maria não era mãe solteira nem Jesus nasceu sem um pai terreno, ainda que adotivo. Por amor e confiança em Deus, Maria não se importou com as barreiras que enfrentaria, a não ser cumprir o propósito do seu Senhor.

Maria tinha uma vida de total contrição e intimidade com Deus. O cântico de Maria traduz essa verdade, de uma clareza inconfundível . O seu relacionamento com Deus era coeso, não se limitava ao nível das emoções ou circunstâncias. Outra qualquer virgem em Israel, não semelhante à Maria, não teria encarado tão grande desafio. Deus não se engana, Ele conhece cada coração, e Maria foi preparada para esse objetivo, ser canal para que o Filho de Deus tivesse acesso a este mundo, para que o filho do seu ventre fosse ponte entre Deus e os homens. Porque há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem. I Tm 2.5

Deus continua buscando adoradores, buscando corações que entoem a Ele a mais bela e pura canção, livre de qualquer ruído. Corações semelhantes ao de Maria, cheios de gratidão, que confiem nele sem restrições, corações que nada mais importa, a não ser agradar ao seu Deus, Salvador e Senhor!

A inveja matou Abel

Todo homem é um adorador em potencial. Naturalmente, ele tem uma necessidade intrínseca de adorar. O que muda na vida de cada um é o objeto de sua adoração.

Caim e Abel levaram ofertas ao Senhor, sacrifícios de adoração. Abel entregou a Deus o melhor do seu rebanho, e Caim do fruto da terra. Deus se agradou da oferta de Abel – a oferta de Abel era uma oferta de sangue e fé. Deus não aprovou Caim nem se agradou da sua oferta. Deus conhece as verdadeiras motivações do coração, Ele conhecia quais as intenções de Abel e as de Caim. Por não ter sua oferta aprovada, Caim entristeceu-se sobremaneira, seu semblante decaiu e uma raiz de amargura brotou em seu coração. Deus rejeitou a oferta não o ofertante. Ele esperava de Caim uma mudança de atitude. “Se você fizer o bem, não será aceito? Mas se não o fizer. saiba que o pecado o ameaça à porta; ele deseja conquistá-lo, mas você deve dominá-lo” Gn 4.7.

O pecado sempre é uma grande ameaça. Ele nunca desiste, sempre está à espreita, mas cabe cada um resisti-lo e dominá-lo. Caim preferiu ceder. Ele não resistiu o assédio da autocomiseração e deixou o coração entristecer-se com o sucesso do seu irmão. O peso da inveja é insuportável, é adentrar em um abismo intransponível que sempre leva a patamares de maior destruição. Foi assim com Caim, a inveja o levou ao ponto mais trágico, matar seu irmão. Apesar da advertência divina, Caim preferiu abrigar a inveja no coração, alimentá-la e, assim, consumir o pecado.

Abel, o justo, inocentemente foi conduzido por Caim ao campo. O campo que deveria ser palco de comunhão, de companhia, de alegria com o seu irmão, pela maldade, tornou-se um lugar de tristeza e morte, alimentado pela erva daninha. A inveja levou Caim ao ódio, e o ódio ao assassinato. A Bíblia diz que por inveja os judeus entregaram Jesus. Paulo e outros apóstolos sofreram perseguições por causa da inveja.

O apóstolo João diz, em sua primeira carta, que aquele que odeia seu irmão é assassino. Às vezes não se mata literalmente, mas se mata com armas invisíveis, mata-se com o coração. O ódio é falta de amor, o ódio torna as pessoas assassinas.

A maior consequência do pecado é o afastamento de Deus. Não há harmonia entre o pecado e Deus. “Então, Caim afastou-se da presença de Deus…” Gn 4.16 O pior castigo na vida do homem não é o inferno, mas uma vida distante de Deus.

Abel viveu pela fé e adorou a Deus pela fé. Apesar de ter sido assassinado por seu irmão, alcançou bom testemunho e seu nome está entre os pioneiros da fé: “Pela fé, Abel ofereceu a Deus um sacrifício superior ao de Caim. Pela fé, ele foi reconhecido como justo, quando Deus aprovou as suas ofertas. Embora esteja morto, por meio da fé, ainda fala”. Hb 11.4. Devemos sempre atentar para o nosso coração. O certo é alegrar-se com os que se alegram. Se há motivo de alegria, e o nosso coração se entristece, é um alerta, o pecado ou a inveja está começando a brotar e a erva daninha tem que ser arrancada imediatamente.

Como podemos blindar o nosso coração contra a inveja? O amor de Deus é o maior antídoto para todos os males. Um coração cheio de amor só é possível em parceria com o Espírito Santo. Buscar a comunhão com o Espírito Santo de forma contínua e sincera é o maior desafio para aqueles que desejam uma vida de total submissão à vontade de Deus.

Mulher e Mãe

Somente uma mulher pode ser mãe ou chamada de mãe. Há muita profundidade neste pequeno nome de três letras e um grande privilégio em ser mulher e mãe, mas toda essa dádiva vem acompanhada de uma grande responsabilidade e missão. Todas as mulheres normais têm a capacidade de gerar filhos, todas podem ser mães, mas nem todas as mães são “mães”. Sim, porque o simples fato de gerar e trazer um filho ao mundo não habilita a mulher a ser “verdadeiramente uma mãe”, a não ser que ela decida cumprir esse papel. Além de gerar e dar a luz a um filho, precisa-se da vontade e do compromisso com Deus de exercer a maternidade, não por um tempo, mas enquanto viver. Um filho adulto e casado nunca deixará de ser filho e deve ser acompanhado continuamente pelas orações da mãe. Deste modo, ser mãe é de fato uma grande e singular missão.

Em primeiro lugar, o filho não pertence à mãe, mas a Deus que o deu. Se o filho é de Deus, deve ser amado, cuidado, ensinado e, sobretudo, conduzido a Deus. Amado porque todo ser humano precisa ser amado, muito mais um filho. Jesus reduziu a lei ou os mandamentos a dois. O primeiro, amar a Deus sobre todas as coisas e, o segundo, o próximo como a si mesmo. E o amor dispensado ao filho não deve ser apenas após o nascimento, mas desde o ventre, descartando assim toda aprovação à possibilidade de aborto. O amor não deve deixar o filho entregue totalmente a sua própria vontade, amar envolve limites. Dar tudo ao filho e deixá-lo fazer o que deseja indiscriminadamente não é prova de amor, mas falta de sabedoria. A criança precisa ser corrigida e saber porque está sendo corrigida. Assim, ela se sentirá amada e segura. Se uma mãe não consegue amar o seu filho, ela não está cumprindo o mandamento divino.

Um filho deve ser cuidado, e isso envolve alimentação, higiene, proteção, provisão, dentre outros. Este ponto é consequência do primeiro. Se uma mãe ama o seu filho dispensará naturalmente todo o cuidado requerido.

O ensino é de suma importância na vida de uma criança. A mãe tem obrigação de ensinar seu filho boas maneiras e desenvolver nele um caráter exemplar. Ensinar o filho, enquanto pequeno, a salvará de tristezas e dores futuras. “Ensina a criança no caminho em que deve andar e ainda quando for velho não se desviará dele”. O maior ensino é o da Palavra de Deus. Muitos pais introduzem o filho na religião, não no conhecimento de Deus. É bom lembrar que religião sem um encontro genuíno com Deus é uma tábua frágil, e o que se apoia nela está suscetível a naufragar a qualquer momento. Se uma criança é educada na Palavra de Deus, ela crescerá conhecendo e amando a Deus, além de ser forjada em seu caráter, esse é o propósito supremo. A Palavra de Deus não é apenas para ser ensinada pelos pais, mas vivida. O filho aprende muito mais com o exemplo do que com palavras sem vida.

Conduzir a criança a Deus é educá-la nos princípios da Palavra de Deus. A maioria das mães e pais preocupa-se apenas com o sucesso profissional dos filhos. Isso é importante, mas não o suficiente. Existem muitos filhos “bem-sucedidos” na vida, mas fracassados emocional e espiritualmente. Prosperidade ou sucesso, isolados, não traz felicidade ou satisfação. A verdadeira felicidade é gerada no interior, não em fatores externos. A ordem dos valores, segundo Deus, é Ele em primeiro lugar, depois, todas as outras coisas. “Buscai em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça e todas as outras coisas vos serão acrescentadas”.

Joquebede, mãe de Moisés, é um grande exemplo bíblico de uma mãe que cumpriu muito bem a sua missão. Sob ameaça do rei do Egito, escondeu seu filho por um tempo e, não tendo mais como escondê-lo, lançou-o sobre às águas em um cesto betumado confiando no livramento de Deus; ela cria que Deus poderia salvá-lo das águas. Teve seu filho de volta, mas não mais oficialmente como seu filho, mas como filho da filha de faraó, ainda assim, não perdeu tempo, levou-o a Deus, ensinando-o sobre o Deus de Israel. Ela sabia que a semente que a ela cabia plantar, um dia germinaria e daria seus frutos no tempo certo. Moisés foi tão bem ensinado por sua mãe que, apesar de ser transportado para um mundo de ostentação e costumes pagãos, permaneceu fiel ao Deus que conheceu em sua infância e a própria Bíblia dá testemunho dele como aquele que “Pela fé, Moisés, sendo já grande, recusou ser chamado filho da filha de Faraó, escolhendo, antes, ser maltratado com o povo de Deus do que por, um pouco de tempo, ter o gozo do pecado…” Moisés escolheu sabiamente a melhor parte, e Deus o tornou o maior profeta de todos os tempos. Que preciosidade e exemplo de mulher-mãe, a mãe de Moisés!

Pv 22.6; Mt 22.34-39; Mt 6.33; Hb 11.24-25