O Cântico de Maria

“Minha alma engrandece ao Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador, pois atentou na humildade da sua serva. De agora em diante todas as gerações me chamarão bem-aventurada, pois o Poderoso fez grandes coisas em meu favor, Santo é o seu nome. A sua misericórdia estende-se aos que o temem, de geração em geração”. Lc 1.46-50

O coração de Maria era permeado pela gratidão. Apenas um coração grato é capaz de entoar um cântico dessa natureza ao seu Criador e Senhor. Um coração grato sempre vê motivos para agradecer a Deus por sua bondade que se perpetua pelas gerações. Um coração grato não pode ser aprisionado por cordas estranhas, mas apenas pelas cordas do amor. Seu relacionamento com Deus flui livremente. A gratidão traz leveza ao coração e sensibilidade à presença do Espírito Santo.

A alma e o espírito de Maria confundiam-se. Eles formavam a sua identidade, identidade que refletia a glória de Deus porque seu espírito era dominado pelo Espírito Santo de Deus.

Podemos imaginar o desafio que Maria teve que enfrentar, após receber a instrução dada pelo anjo sobre o Filho de Deus que ela geraria em seu ventre. Grande foi sua expectativa! De repente, grávida, sem ter se relacionado sexualmente com qualquer homem. Talvez, o problema maior de todos foi encarar o homem com o qual estava aliançada, além de ser alvo de fofocas, acusações de religiosos e preconceitos da sua comunidade. Lembrando que Maria era apenas uma adolescente. Maria estava desposada de José. Ela já tinha um contrato de casamento, e aguardava apenas o dia da união com o seu esposo, no qual era efetivado. Na cultura judaica, para todos os efeitos, Maria já era uma mulher casada. Se Maria ou José decidisse desistir do casamento, teria que ser por vias legais, semelhantes a um divórcio. Então, Jesus foi gerado em uma família, Maria não era mãe solteira nem Jesus nasceu sem um pai terreno, ainda que adotivo. Por amor e confiança em Deus, Maria não se importou com as barreiras que enfrentaria, a não ser cumprir o propósito do seu Senhor.

Maria tinha uma vida de total contrição e intimidade com Deus. O cântico de Maria traduz essa verdade, de uma clareza inconfundível . O seu relacionamento com Deus era coeso, não se limitava ao nível das emoções ou circunstâncias. Outra qualquer virgem em Israel, não semelhante à Maria, não teria encarado tão grande desafio. Deus não se engana, Ele conhece cada coração, e Maria foi preparada para esse objetivo, ser canal para que o Filho de Deus tivesse acesso a este mundo, para que o filho do seu ventre fosse ponte entre Deus e os homens. Porque há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem. I Tm 2.5

Deus continua buscando adoradores, buscando corações que entoem a Ele a mais bela e pura canção, livres de qualquer ruído, corações semelhantes ao de Maria, cheios de gratidão, que confiem nele sem restrições, corações que nada mais importa, a não ser agradar ao seu Deus, Salvador e Senhor!

A inveja matou Abel

Todo homem é um adorador em potencial. Naturalmente, ele tem uma necessidade intrínseca de adorar. O que muda na vida de cada um é o objeto de sua adoração.

Caim e Abel levaram ofertas ao Senhor, sacrifícios de adoração. Abel entregou a Deus o melhor do seu rebanho, e Caim do fruto da terra. Deus se agradou da oferta de Abel – a oferta de Abel era uma oferta de sangue e fé. Deus não aprovou Caim nem se agradou da sua oferta. Deus conhece as verdadeiras motivações do coração, Ele conhecia quais as intenções de Abel e as de Caim. Por não ter sua oferta aprovada, Caim entristeceu-se sobremaneira, seu semblante decaiu e uma raiz de amargura brotou em seu coração. Deus rejeitou a oferta não o ofertante. Ele esperava de Caim uma mudança de atitude. “Se você fizer o bem, não será aceito? Mas se não o fizer. saiba que o pecado o ameaça à porta; ele deseja conquistá-lo, mas você deve dominá-lo” Gn 4.7.

O pecado sempre é uma grande ameaça. Ele nunca desiste, sempre está à espreita, mas cabe cada um resisti-lo e dominá-lo. Caim preferiu ceder. Ele não resistiu o assédio da autocomiseração e deixou o coração entristecer-se com o sucesso do seu irmão. O peso da inveja é insuportável, é adentrar em um abismo intransponível que sempre leva a patamares de maior destruição. Foi assim com Caim, a inveja o levou ao ponto mais trágico, matar seu irmão. Apesar da advertência divina, Caim preferiu abrigar a inveja no coração, alimentá-la e, assim, consumir o pecado.

Abel, o justo, inocentemente foi conduzido por Caim ao campo. O campo que deveria ser palco de comunhão, de companhia, de alegria com o seu irmão, pela maldade, tornou-se um lugar de tristeza e morte, alimentado pela erva daninha. A inveja levou Caim ao ódio, e o ódio ao assassinato. A Bíblia diz que por inveja os judeus entregaram Jesus. Paulo e outros apóstolos sofreram perseguições por causa da inveja.

O apóstolo João diz, em sua primeira carta, que aquele que odeia seu irmão é assassino. Às vezes não se mata literalmente, mas se mata com armas invisíveis, mata-se com o coração. O ódio é falta de amor, o ódio torna as pessoas assassinas.

A maior consequência do pecado é o afastamento de Deus. Não há harmonia entre o pecado e Deus. “Então, Caim afastou-se da presença de Deus…” Gn 4.16 O pior castigo na vida do homem não é o inferno, mas uma vida distante de Deus.

Abel viveu pela fé e adorou a Deus pela fé. Apesar de ter sido assassinado por seu irmão, alcançou bom testemunho e seu nome está entre os pioneiros da fé: “Pela fé, Abel ofereceu a Deus um sacrifício superior ao de Caim. Pela fé, ele foi reconhecido como justo, quando Deus aprovou as suas ofertas. Embora esteja morto, por meio da fé, ainda fala”. Hb 11.4. Devemos sempre atentar para o nosso coração. O certo é alegrar-se com os que se alegram. Se há motivo de alegria, e o nosso coração se entristece, é um alerta, o pecado ou a inveja está começando a brotar e a erva daninha tem que ser arrancada imediatamente.

Como podemos blindar o nosso coração contra a inveja? O amor de Deus é o maior antídoto para todos os males. Um coração cheio de amor só é possível em parceria com o Espírito Santo. Buscar a comunhão com o Espírito Santo de forma contínua e sincera é o maior desafio para aqueles que desejam uma vida de total submissão à vontade de Deus.

Mulher e Mãe

Somente uma mulher pode ser mãe ou chamada de mãe. Há muita profundidade neste pequeno nome de três letras e um grande privilégio em ser mulher e mãe, mas toda essa dádiva vem acompanhada de uma grande responsabilidade e missão. Todas as mulheres normais têm a capacidade de gerar filhos, todas podem ser mães, mas nem todas as mães são “mães”. Sim, porque o simples fato de gerar e trazer um filho ao mundo não habilita a mulher a ser “verdadeiramente uma mãe”, a não ser que ela decida cumprir esse papel. Além de gerar e dar a luz a um filho, precisa-se da vontade e do compromisso com Deus de exercer a maternidade, não por um tempo, mas enquanto viver. Um filho adulto e casado nunca deixará de ser filho e deve ser acompanhado continuamente pelas orações da mãe. Deste modo, ser mãe é de fato uma grande e singular missão.

Em primeiro lugar, o filho não pertence à mãe, mas a Deus que o deu. Se o filho é de Deus, deve ser amado, cuidado, ensinado e, sobretudo, conduzido a Deus. Amado porque todo ser humano precisa ser amado, muito mais um filho. Jesus reduziu a lei ou os mandamentos a dois. O primeiro, amar a Deus sobre todas as coisas e, o segundo, o próximo como a si mesmo. E o amor dispensado ao filho não deve ser apenas após o nascimento, mas desde o ventre, descartando assim toda aprovação à possibilidade de aborto. O amor não deve deixar o filho entregue totalmente a sua própria vontade, amar envolve limites. Dar tudo ao filho e deixá-lo fazer o que deseja indiscriminadamente não é prova de amor, mas falta de sabedoria. A criança precisa ser corrigida e saber porque está sendo corrigida. Assim, ela se sentirá amada e segura. Se uma mãe não consegue amar o seu filho, ela não está cumprindo o mandamento divino.

Um filho deve ser cuidado, e isso envolve alimentação, higiene, proteção, provisão, dentre outros. Este ponto é consequência do primeiro. Se uma mãe ama o seu filho dispensará naturalmente todo o cuidado requerido.

O ensino é de suma importância na vida de uma criança. A mãe tem obrigação de ensinar seu filho boas maneiras e desenvolver nele um caráter exemplar. Ensinar o filho, enquanto pequeno, a salvará de tristezas e dores futuras. “Ensina a criança no caminho em que deve andar e ainda quando for velho não se desviará dele”. O maior ensino é o da Palavra de Deus. Muitos pais introduzem o filho na religião, não no conhecimento de Deus. É bom lembrar que religião sem um encontro genuíno com Deus é uma tábua frágil, e o que se apoia nela está suscetível a naufragar a qualquer momento. Se uma criança é educada na Palavra de Deus, ela crescerá conhecendo e amando a Deus, além de ser forjada em seu caráter, esse é o propósito supremo. A Palavra de Deus não é apenas para ser ensinada pelos pais, mas vivida. O filho aprende muito mais com o exemplo do que com palavras sem vida.

Conduzir a criança a Deus é educá-la nos princípios da Palavra de Deus. A maioria das mães e pais preocupa-se apenas com o sucesso profissional dos filhos. Isso é importante, mas não o suficiente. Existem muitos filhos “bem-sucedidos” na vida, mas fracassados emocional e espiritualmente. Prosperidade ou sucesso, isolados, não traz felicidade ou satisfação. A verdadeira felicidade é gerada no interior, não em fatores externos. A ordem dos valores, segundo Deus, é Ele em primeiro lugar, depois, todas as outras coisas. “Buscai em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça e todas as outras coisas vos serão acrescentadas”.

Joquebede, mãe de Moisés, é um grande exemplo bíblico de uma mãe que cumpriu muito bem a sua missão. Sob ameaça do rei do Egito, escondeu seu filho por um tempo e, não tendo mais como escondê-lo, lançou-o sobre às águas em um cesto betumado confiando no livramento de Deus; ela cria que Deus poderia salvá-lo das águas. Teve seu filho de volta, mas não mais oficialmente como seu filho, mas como filho da filha de faraó, ainda assim, não perdeu tempo, levou-o a Deus, ensinando-o sobre o Deus de Israel. Ela sabia que a semente que a ela cabia plantar, um dia germinaria e daria seus frutos no tempo certo. Moisés foi tão bem ensinado por sua mãe que, apesar de ser transportado para um mundo de ostentação e costumes pagãos, permaneceu fiel ao Deus que conheceu em sua infância e a própria Bíblia dá testemunho dele como aquele que “Pela fé, Moisés, sendo já grande, recusou ser chamado filho da filha de Faraó, escolhendo, antes, ser maltratado com o povo de Deus do que por, um pouco de tempo, ter o gozo do pecado…” Moisés escolheu sabiamente a melhor parte, e Deus o tornou o maior profeta de todos os tempos. Que preciosidade e exemplo de mulher-mãe, a mãe de Moisés!

Pv 22.6; Mt 22.34-39; Mt 6.33; Hb 11.24-25

Cruz, sangue e paz

Pois foi do agrado de Deus que em Jesus habitasse toda a plenitude… estabelecendo a PAZ pelo seu SANGUE derramado na CRUZ. Colossenses 1.19-20

Jesus, o Cordeiro de Deus, foi crucificado exatamente no dia em que os judeus comemoravam a Páscoa. A Páscoa foi estabelecida quando Israel saiu do Egito, por mão forte de Deus, ao enviar a décima praga sobre os egípcios para quebrar a resistência de Faraó e deixar o Seu povo partir em liberdade, depois de 430 anos sob severa escravidão. A décima praga consistiu na morte do primogênito de cada família egípcia, até dos animais.

Para que houvesse distinção entre os hebreus e o povo da terra do Egito, pois à meia-noite Deus passaria para ferir o filho mais velho, Ele ordenou que um cordeiro fosse sacrificado e seu sangue aspergido nos umbrais e vergas das portas, e o Senhor, ao ver o sangue, passaria e não entraria naquela casa. Então, páscoa, do hebraico pêssach, significa literalmente passagem. Naquele dia, o Senhor Deus passou pelas moradas do seu povo e não o feriu de morte.

Jesus é o Cordeiro de Deus para o mundo que está sob condenação por seus pecados e dureza de coração, tal qual Faraó. Quando há erro, a justiça tem que ser estabelecida, para os justos, liberdade, para os transgressores, condenação. O cordeiro pascal aponta para o Cordeiro imaculado, aquele que se fez carne e foi levado à CRUZ, derramando todo o seu SANGUE para remissão dos pecados dos homens e reconciliação com Deus, para que fossem livres da condenação eterna que pesava sobre eles, e a verdadeira PAZ fosse estabelecida em seus corações.

Sim, a paz é o bem mais precioso, vale muito mais que qualquer tesouro material. Todo homem anseia por paz, a paz que leva a uma satisfação interior e a uma comunhão com Deus. Ela não pode ser encontrada na religião, coisa ou lugar, mas pode habitar em qualquer coração, a despeito de dogma religioso, lugar ou circunstância. Jesus é o Príncipe da Paz. A verdadeira paz passa pela cruz e habita apenas nos corações que foram aspergidos pelo sangue de Jesus, porque não há paz sem Deus. E o homem só tem acesso a Deus através de Jesus. Ele é o único caminho que leva o homem de volta a Deus. Ele é a verdade e a vida. Só o sangue de Jesus cumpre a justiça de Deus. “Justificados pela fé temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo”. Por nosso Senhor Jesus Cristo – aquele que pagou um alto preço – submetendo-se à morte mais cruel e com seu sangue, pode justificar os homens, tornando-os filhos de Deus e concedendo-lhes a paz, a todos que creem no seu Nome! Jesus é a verdadeira Páscoa!

As queixas dos homens

De que se queixa, pois, o homem vivente? Queixe-se cada um dos seus pecados. Lm 3.39

Os dias atuais são marcados pelo desejo de ter. As pessoas são avaliadas pelo que elas têm, neste caso, o “ter” sempre sobrepuja o “ser”. Isso leva o ser humano a uma corrida sem fim para adquirir bens materiais, sim, para se autoafirmar e encontrar lugar de destaque nessa sociedade decaída. Mas esse comportamento leva a crises porque não satisfaz os anseios mais interiores. A ditadura do ter é cruel e sua medida é sempre inalcançável, gerando insatisfações e um inconformismo infindável: “não tenho isso ou aquilo”, “a sorte não bateu a minha porta”, “quem me dera ganhar na loteria!” “como é ruim desejar uma coisa e não ter dinheiro para comprá-la”, dentre muitas outras expressões semelhantes.

Quando o homem guia a sua vida por uma lente embaçada e se desvia do verdadeiro sentido de sua existência, leva uma vida de lamúria por seu insucesso, e a amargura começa a permear as suas atitudes. Em primeiro lugar, ele procura encontrar culpados por suas insatisfações, esquecendo-se que cada um é responsável por suas próprias escolhas. Vivemos hoje o que escolhemos no passado. Não adianta culpar o sistema ou o governo, os pais, os filhos, o cônjuge ou o amigo. A reclamação é uma linha tênue entre a justiça e a injustiça, entre o certo e o errado, é correr o risco de penetrar no campo minado pela inveja e a amargura. O próximo passo é culpar Deus, atribuindo-lhe a Ele todas as injustiças sofridas na caminhada. Nesse ponto, o inimigo tem alcançado o seu objetivo, criar no coração do homem uma desconfiança e descrença quanto à pessoa do Deus Soberano. Deus, independente das crises existenciais dos homens, Ele é bom e justo, nEle não se encontra nenhum engano, erro ou injustiça. Ele é o único que pode dar um escape para a necessidade e anseios interiores, se houver um distanciamento dEle, o homem adentra em um beco sem saída, a menos que, através do arrependimento, retorne para o único caminho da sua salvação. Para isso, o homem precisa ter consciência que está trilhando um mau caminho, desejar uma reformulação da sua vida, decidir trilhar o caminho de volta, vestir-se da capa da humildade e entrar no caminho. O caminho para Deus não pode ser trilhado com orgulho. O sucesso nesse caminho depende de uma vida constante de total quebrantamento e dependência de Deus.

Uma razão forte porque as pessoas não têm respostas de suas orações é porque suas petições são feitas com motivos errados, marcados pela cobiça e a inveja. Tg 4.1-10. Deus é Deus, nós somos servos, e Ele como Senhor requer obediência. Ele é Deus de princípios. Se alguém despreza a Sua Palavra, não a lê, não medita nela, então, não a conhece, desconhece também a Deus e como Ele age. Os “sabem tudo” não precisam conhecer os mistérios de Deus. Eles desconhecem que oração é relacionamento com Deus, não uma lista de desejos. Quando há relacionamento com Deus, há direcionamento divino em tudo que se faz e, se verdadeiramente há dependência dEle, as coisas fluem, podendo haver resistência e obstáculos a serem rompidos, mas a vitória é certa.

O caminho da graça de Deus é trilhado sobre as pedras da gratidão. Não há gratidão sem humildade. Toda arrogância é pecado, o orgulho leva o homem para uma vida independente e distante de Deus, e isso precede a queda e a ruína. O orgulho não reconhece Deus como o autor de todo o bem que naturalmente nos outorga. O orgulhoso vangloria-se de suas próprias realizações, suas orações são alicerçadas em desejos próprios e com motivações desvinculadas da direção de Deus, e Deus não tem compromisso em atendê-las.

Com um coração arrependido, queixe-mo-nos não dos outros nem de Deus, mas de nossos próprios pecados, de escolhermos uma vida de insubmissão à vontade de Deus.

Permanecendo em Cristo

Cristo Jesus é lugar de salvação, de refrigério, de segurança, de paz, de alegria, de vitória e intimidade com Deus. O apóstolo João foi o que mais se preocupou em chamar a atenção e ensinar como devemos permanecer em Cristo. Permanecer não quer dizer que estamos em um lugar e nunca vamos deixar de estar. Mas a vitória de um cristão está em permanecer sempre em Cristo e nunca deixar de estar nEle. Devemos permanecer nEle, devemos batalhar e desejar isso com todo o nosso coração, com toda o nosso entendimento e com toda a nossa força.

Na carta de 1 João 3.21-24,, encontramos algumas evidências que indicam se estamos em Cristo ou se permanecemos nEle. 1. Precisamos confiar em Deus para estarmos em Cristo, e confiamos em Deus quando estamos com o coração limpo e livre de qualquer condenação. Jesus mesmo já proveu essa necessidade humana, Ele já pagou o preço para termos uma vida livre de condenação. Cremos que Deus nos amou de tal maneira que enviou o seu Filho ao mundo para morrer na cruz em nosso lugar, e somente através de Jesus temos perdão para nossos pecados . 2. Se cremos em Jesus, tornamo-nos filhos de Deus, temos comunhão com Ele, podemos conversar com Deus e permanecer em Cristo. 3. Se estamos em Cristo, o pecado não mais nos domina, temos prazer em sua Palavra, em obedecer os seus mandamentos e fazer o que lhe agrada. 4. O seu mandamento é que creiamos em Jesus – a fé em Cristo e a obediência se completam – sem fé não há obediência e não há obediência sem fé. E que amemos uns aos outros – quando amamos verdadeiramente o nosso irmão não fazemos mal nenhum a ele. Então, todos os mandamentos cumprem-se nestes dois mandamentos, amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. 5. Assim, os que obedecem os seus mandamentos permanecem em Cristo , através do seu Espírito que Ele nos dá.

O bem mais precioso de uma vida não consiste nos bens que tem, mas em ter Deus como Pai, reconhecer e desfrutar dessa paternidade. Se somos filhos de Deus, somos co-herdeiros com Cristo. É usufruir da intimidade com Deus, o seu Pai, através do Espírito Santo e este mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus. Ele nos conduz pelo caminho da verdade, nEle não há engano. Permanecemos em Cristo quando a comunhão com o Espírito Santo flui livremente e também com os nossos irmãos.

O tempo não para. Estamos no liminar de um novo ano. Todos desejam ver dias melhores de prosperidade e bênçãos. Mas a maior dádiva que podemos desejar aos nossos familiares, amigos e a qualquer pessoa é que tenham uma vida de comunhão com o Espírito Santo e permanente em Cristo. Assim, terão tudo que precisam para uma vida abundante.

Glórias a Deus nas alturas!

Ele nasceu! Um coral de anjos apareceu nas alturas louvando a Deus pelo seu nascimento. Desde o seu primeiro momento neste mundo, o menino enfrentou os dissabores desta vida, nasceu em um estábulo, sofreu a fúria de Herodes e teve que fugir para o Egito. Mas quem é esse que, apesar das perseguições, teve direito aos mais altos louvores, marcou o curso da humanidade, e até a história é marcada por antes e depois do seu nascimento?

Jesus é o seu nome, o Emanuel, o Deus conosco, a revelação do próprio Deus! Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito sobre toda a criação. Colossenses 1.15. Ele é o Rei, o Messias que os judeus esperavam, mas não o reconheceram.

No Éden, o homem tinha um relacionamento de intimidade com Deus, mas escolheu ouvir a voz de satanás, que se incorporou em uma serpente do jardim, e o homem duvidou da Palavra de Deus: “Se você não obedecer, você certamente morrerá”. O seu livre arbítrio, a sua má escolha, trouxe-lhe morte. Assim, o homem estava separado de Deus, e separação de Deus é morte. É morte que abrange o corpo, emoções e espírito. Mas Deus o criou para a vida, Deus criou o homem para uma relação paternal com Ele e não desistiu dele. Depois da queda, Deus disse à serpente que dentre os descendentes da mulher nasceria um que esmagaria a sua cabeça, e ele seria ferido por ela no calcanhar. Depois de aproximadamente quatro mil anos, esta Palavra de Deus é cumprida. Jesus nasceu!

Jesus nasceu para morrer. Morrer pelos pecados de toda a humanidade porque Deus quer que todos sejam salvos e conheçam a verdade. Ele enfrentou a cruz, morreu como todos os homens e no lugar de todos os homens porque nunca pecou. Foi sepultado, mas ressuscitou ao terceiro dia. Jesus venceu a morte, garantindo, assim, a vida eterna a todos que se rendem a Ele. Jesus nasceu para que a comunhão de Deus com os homens fosse restaurada. Jesus nasceu para revivificar o espírito do homem, restaurar suas emoções e trazer paz e alegria.

Desejamos que todos que celebram o Natal tenham a revelação de quem verdadeiramente é Jesus, que tenham um relacionamento pessoal com Deus e vivam para a glória do seu Nome, através de uma fé prática e cheia de amor a Deus e ao próximo. Jesus veio para restaurar na vida dos homens a paternidade de Deus e a adoração ao seu Santo Nome. Jesus veio para glorificar a Deus, para que todos pudessem cantar como os anjos cantaram: Glórias a Deus nas alturas!

Jesus e a goiabeira

Nos últimos dias, está em alta no cenário brasileiro uma grande polêmica sobre o testemunho de uma mulher cristã que comentou corajosamente sobre seu encontro com Deus, em um pé de goiaba,  ainda criança que, devido a intoleráveis abusos sexuais dentro de sua própria casa, tentou o suicídio e milagrosamente foi salva das garras daquele que veio apenas para roubar, matar e destruir.  O diabo não escolhe suas vítimas, ele quer todos, qualquer um pode ser alvo de suas investidas, rico ou pobre, religioso ou não religioso, branco ou preto, crianças ou adultos e de qualquer povo, nação, tribo ou língua. Diante desse fato, o que mais intriga é que tem prevalecido as  chacotas, o desdém, o desrespeito e a falta de temor com a pessoa de Jesus, e é necessário que reflitamos sobre  esse comportamento tão distorcido e deplorável de um bom grupo  da sociedade brasileira. 

Talvez, se vivêssemos em uma nação como muitas que desconhecem a pessoa de Jesus, pudéssemos explicar essa falta de vergonha que blasfema contra Deus e desrespeita o próximo.  Mas vivemos em uma nação noventa por cento denominada cristã, evangélica e católica, e é inadmissível e intolerável esse comportamento. É bem provável que alguém diga que é liberdade de expressão e humor. Não, o humor sadio não afronta Deus, nem o próximo, não o expõe, não zomba dos seus traumas. Ninguém, em sã consciência,  quer  ser humilhado, zombado, desprezado. Deus não compactua com essa atitude, e isso não pode partir de corações que conheçam a Deus verdadeiramente. A lei de Deus prevalece em todo o mundo e o juízo dEle é com equidade, Ele não tem dois pesos ou duas medidas. E o juízo de Deus será sem misericórdia para todos que agiram sem misericórdia. Ele também não inocenta quem toma o seu Nome em vão. Não adiantam justificativas politicamente corretas. Se  alguém não pertence a minha ideologia política, tenho o direito de afrontar a sua moral, de pisoteá-la? Não, não tenho. A lei universal de Deus resume-se em dois princípios, amar a Deus sobre todas as coisas e o próximo como a si mesmo. A regra é simples: Se você não ama a Deus está perdido e não ama nem a si mesmo, como poderá amar o próximo? Mas se você diz que ama a Deus, o teste é como você se comporta com o próximo. Se você não o poupa do mal ou não se sensibiliza com o seu sofrimento, não há congruência na sua atitude com o que você diz, você não conhece Deus. Mas se você verdadeiramente ama a Deus, você não faz nada contra o próximo porque você é suficientemente sensível para ficar no lugar dele e reprovar qualquer comportamento que não condiz com um filho de Deus.   

Deus entristece-se com comportamentos desvirtuados, que não são harmônicos com o seu caráter. Ele é um Deus amoroso e sempre espera que os suas criaturas ou filhos arrependam-se dos seus pecados e voltem a desfrutar da sua amizade e comunhão. Ele fez o homem para isso. Deus habita nos seus filhos através do Espírito Santo e deseja que cada um seja templo dEle. Por isso, Jesus morreu para restabelecer a comunhão de Deus com o homem, perdida no Éden. Ele se empenha em resgatar uma criatura onde quer que esteja, até em  uma goiabeira. 

 Se você diz que conhece Deus, e fez chacota com a Ministra da Família e dos Direitos humanos, você não o conhece e é um miserável porque perdeu da essência de Deus, se a teve em algum momento, está fazendo o jogo do príncipe das trevas.Você desconhece que Deus é criativo e que cria situações, as mais inusitadas possíveis, para alcançar a alma ferida do ser humano. Você desconhece que Ele é um ser pessoal, capaz de se compadecer do moribundo que precisa de socorro. Você desconhece que Ele é onisciente, onipresente e onipotente e vai a qualquer lugar, nos ares, na terra e nas profundezas do mar para salvar uma pessoa que clama por Ele. Você desconhece que Ele é Soberano e não se limita a padrões criados por você, Ele fala, age e faz como quer em qualquer lugar, até tirar uma menina sem esperança de uma goiabeira. Ele é Deus, Ele é o grande Eu Sou, Ele faz como quer, que os homens sem fé, servos das trevas,   gostem ou não.

   

Adoração e missões

“Missão existe porque não existe adoração”. John Piper

Esta afirmação é de difícil entendimento, quando  a lemos ou a ouvimos pela primeira vez, mas quando a compreendemos, ela é bem verdadeira, e os dois temas estão  relacionados dentro do propósito de Deus para o homem.

O plano primordial de Deus para o homem é que ele o adore com a totalidade do seu ser  e por todo a eternidade; ele foi criado por isso e para isso. Deus, o Único Deus Verdadeiro, criou o homem para o louvor da sua glória. Toda a criação, todos os povos, línguas e nações têm origem no próprio Deus, e não há outro além dEle digno de adoração. Mas, desde o início, satanás,  o acusador dos homens e pai da mentira, tem procurado enganar os homens e levá-los a enveredar por  caminhos distantes de Deus. O inimigo de Deus tem tido sucesso, e, muitos, principalmente por ignorância, têm adorado a deuses estranhos e deixado de adorar e honrar   o Deus Soberano que os criou.

“Missões existem porque não existe adoração”, sim. Missões existem para alcançar  homens e mulheres de todos os lugares que não fizeram  ainda um altar de adoração ao Deus Verdadeiro. Se todos os povos, tribos, nações e línguas  adorassem o Deus vivo, não precisaria de missionários para anunciar que existe um só Deus que deve ser adorado. Missões existem para dizer a todos os homens que eles foram criados para adorar somente a Deus, o Criador de todas as coisas. Missões existem para  que os homens tornem-se  verdadeiros adoradores rendidos totalmente a Deus.

Missões existem para fazer o nome de Jesus conhecido, e através dEle   os homens possam ter comunhão com Deus porque adoração é, antes de tudo, relacionamento com Deus. Como uma pessoa  pode relacionar-se com alguém que não conhece?  Deus não está procurando adoração, mas Ele busca  verdadeiros adoradores, busca relacionamento, amizade com o homem, pessoas que o amem sobre todas as coisas. Ele enviou Jesus ao mundo, não o poupou da morte, para trazer todos os homens de volta para si, para restaurar o que foi perdido no Éden. Esse amor  insondável deve ser retribuído. Cada homem deve-lhe adoração pelo que Ele fez, pelo que Ele é, por gratidão, porque somente Ele é digno, porque Ele é o Criador de cada um.

Adorar outros deuses é uma afronta ao Deus Soberano. O primeiro mandamento é: Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra. Não te encurvarás a elas nem as servirás. Ex 20.3-5. Por natureza, o  homem é um adorador. Ele foi feito para adorar. Se ele não adora ao Deus Santo e Verdadeiro, adora outros  deuses, deuses criados por eles mesmos, deuses incapazes de fazer qualquer coisa porque não falam, não veem, não andam, não ouvem e seus adoradores tornam-se semelhantes a eles. Salmos 115.4-8.   Não há satisfação na alma humana, se  o objeto da sua adoração não for o Deus verdadeiro. Há um vazio no coração do homem que nada nem ninguém pode preenchê-lo, a não ser o próprio Deus.  Missões existem para restaurar a adoração na vida de cada homem que ainda não conhece Jesus de qualquer lugar do mundo.  A visão de Deus é ampla e alcança  toda humanidade. Ele quer que todos venham a ter conhecimento da verdade, por isso, o coração de Deus pulsa por missões, e busca  por verdadeiros adoradores.

 

Adoração e adoradores

O homem foi criado para glorificar ou adorar a Deus com a sua vida, com todo o seu ser e por toda a eternidade. Então, tudo que foge deste propósito, por melhor que seja, não traz satisfação à alma humana.

Deus criou o primeiro  casal e o colocou em um ambiente livre de qualquer opressão que pudesse trazer angústia na alma e o fizesse desviar do propósito estabelecido por Deus . O primeiro homem e a primeira mulher foram criados perfeitos, sua casa era  em um jardim perfeito, com todas as condições favoráveis para  que tivessem  vida plena e de adoração a Deus. Mas, nesse ambiente de perfeição, o homem e a mulher  foram tentados por um ser escabroso que sempre quis usurpar de Deus o que pertencia apenas a Ele, a adoração! O casal cedeu, duvidou do caráter de Deus, e a partir desse momento  muitos deuses foram surgindo através das gerações. Os homens, eles mesmos, criam seus deuses e não há limite para isso. Na Índia, por exemplo, estimam-se que há cerca de 330 milhões de deuses.  Isso mesmo, são deuses para todos os gostos, segundo o coração rebelde de cada  um. São deuses que não falam, não ouvem, não andam. Segundo Salmos 115.8, os fazedores e adoradores de ídolos tornam-se semelhantes a eles. As nações cristãs ocidentais, talvez se surpreendam com tantos deuses nas nações orientais. Mas a nossa realidade não é tão diferente, temos também muitos deuses  religiosos, além destes, temos outros  como o prazer, o poder, o dinheiro, os jogos, a tecnologia, o trabalho, as pessoas, os bens materiais,  as redes sociais, os vícios, os artistas famosos, a aparência, a estética, os cargos eclesiásticos   e tantos outros. Tudo que faz o homem desviar do foco, daquele que somente deve ser adorado,  é pecaminoso  ou leva à  pecaminosidade, fazendo do adorador refém da sua própria adoração.

O primeiro dos dez mandamentos é não ter nem adorar outros deuses, além do Único Deus verdadeiro, o Deus Soberano que criou o universo e todas as coisas, por isso, só Ele é digno de adoração.  Paulo  escreveu para os gentios romanos que os homens são indesculpáveis se não reconhecem o Deus verdadeiro porque todas a coisas criadas revelam este Deus, a natureza é um livro aberto que testifica que um Deus Criador está por trás das obras da  sua criação, e, por suas obras magníficas,  o seu poder é revelado, e todos o homens têm o dever de adorá-lo.

Adoração – o que é? De uma forma bem particular, adoração é relacionamento com Deus e tem como base a comunhão e intimidade com Ele,  é  reconhecer o que Deus é, a sua natureza e o seu caráter, é ter uma atitude de rendição total a Ele.  A atitude de um adorador não é apenas em ajuntamentos ou ocasiões especiais, mas  em todo o tempo. O espírito e a alma do adorador devem viver em uma fusão constante com o Espírito Santo de Deus.  O verdadeiro adorador deve viver a vida do próprio Deus, e nada que ele faça pode ser desvinculado do Deus que ele adora. “Quer comais quer bebais, ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus”. Paulo não apenas escreveu isso, mas viveu e morreu por isso, na vida e na morte glorificou a Deus. Ele entendeu o verdadeiro sentido da adoração e sua vida foi totalmente ofertada no altar da adoração. Tem-se uma vida de adorador quando nada mais importa, a não ser viver totalmente para a glória de Deus. Não somente quando se está fazendo a obra de Deus ou cantando canções de louvor na Igreja, mas no trabalho, na escola, na faculdade, fazendo compras,  em  encontro com os amigos, em momentos de lazer ou em qualquer outra situação ou lugar. Não se deve perder a sua essência, não sair do lugar de adoração, não perder o verdadeiro sentido da vida porque nada vale a pena ser vivido, se não for para glorificar a Deus. “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todas as tuas forças”.  Dt 6.5.  Então, a adoração envolve um contínuo sacrifício de louvor a Deus, com a inteireza de todo o ser, do espírito, alma e corpo.  Isso é que faz de um homem ou uma mulher um verdadeiro adorador!