Adoração e missões

“Missão existe porque não existe adoração”. John Piper

Esta afirmação é de difícil entendimento, quando  a lemos ou a ouvimos pela primeira vez, mas quando a compreendemos, ela é bem verdadeira, e os dois temas estão  relacionados dentro do propósito de Deus para o homem.

O plano primordial de Deus para o homem é que ele o adore com a totalidade do seu ser  e por todo a eternidade; ele foi criado por isso e para isso. Deus, o Único Deus Verdadeiro, criou o homem para o louvor da sua glória. Toda a criação, todos os povos, línguas e nações têm origem no próprio Deus, e não há outro além dEle digno de adoração. Mas, desde o início, satanás,  o acusador dos homens e pai da mentira, tem procurado enganar os homens e levá-los a enveredar por  caminhos distantes de Deus. O inimigo de Deus tem tido sucesso, e, muitos, principalmente por ignorância, têm adorado a deuses estranhos e deixado de adorar e honrar   o Deus Soberano que os criou.

“Missões existem porque não existe adoração”, sim. Missões existem para alcançar  homens e mulheres de todos os lugares que não fizeram  ainda um altar de adoração ao Deus Verdadeiro. Se todos os povos, tribos, nações e línguas  adorassem o Deus vivo, não precisaria de missionários para anunciar que existe um só Deus que deve ser adorado. Missões existem para dizer a todos os homens que eles foram criados para adorar somente a Deus, o Criador de todas as coisas. Missões existem para  que os homens tornem-se  verdadeiros adoradores rendidos totalmente a Deus.

Missões existem para fazer o nome de Jesus conhecido, e através dEle   os homens possam ter comunhão com Deus porque adoração é, antes de tudo, relacionamento com Deus. Como uma pessoa  pode relacionar-se com alguém que não conhece?  Deus não está procurando adoração, mas Ele busca  verdadeiros adoradores, busca relacionamento, amizade com o homem, pessoas que o amem sobre todas as coisas. Ele enviou Jesus ao mundo, não o poupou da morte, para trazer todos os homens de volta para si, para restaurar o que foi perdido no Éden. Esse amor  insondável deve ser retribuído. Cada homem deve-lhe adoração pelo que Ele fez, pelo que Ele é, por gratidão, porque somente Ele é digno, porque Ele é o Criador de cada um.

Adorar outros deuses é uma afronta ao Deus Soberano. O primeiro mandamento é: Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra. Não te encurvarás a elas nem as servirás. Ex 20.3-5. Por natureza, o  homem é um adorador. Ele foi feito para adorar. Se ele não adora ao Deus Santo e Verdadeiro, adora outros  deuses, deuses criados por eles mesmos, deuses incapazes de fazer qualquer coisa porque não falam, não veem, não andam, não ouvem e seus adoradores tornam-se semelhantes a eles. Salmos 115.4-8.   Não há satisfação na alma humana, se  o objeto da sua adoração não for o Deus verdadeiro. Há um vazio no coração do homem que nada nem ninguém pode preenchê-lo, a não ser o próprio Deus.  Missões existem para restaurar a adoração na vida de cada homem que ainda não conhece Jesus de qualquer lugar do mundo.  A visão de Deus é ampla e alcança  toda humanidade. Ele quer que todos venham a ter conhecimento da verdade, por isso, o coração de Deus pulsa por missões, e busca  por verdadeiros adoradores.

 

Adoração e adoradores

O homem foi criado para glorificar ou adorar a Deus com a sua vida, com todo o seu ser e por toda a eternidade. Então, tudo que foge deste propósito, por melhor que seja, não traz satisfação à alma humana.

Deus criou o primeiro  casal e o colocou em um ambiente livre de qualquer opressão que pudesse trazer angústia na alma e o fizesse desviar do propósito estabelecido por Deus . O primeiro homem e a primeira mulher foram criados perfeitos, sua casa era  em um jardim perfeito, com todas as condições favoráveis para  que tivessem  vida plena e de adoração a Deus. Mas, nesse ambiente de perfeição, o homem e a mulher  foram tentados por um ser escabroso que sempre quis usurpar de Deus o que pertencia apenas a Ele, a adoração! O casal cedeu, duvidou do caráter de Deus, e a partir desse momento  muitos deuses foram surgindo através das gerações. Os homens, eles mesmos, criam seus deuses e não há limite para isso. Na Índia, por exemplo, estimam-se que há cerca de 330 milhões de deuses.  Isso mesmo, são deuses para todos os gostos, segundo o coração rebelde de cada  um. São deuses que não falam, não ouvem, não andam. Segundo Salmos 115.8, os fazedores e adoradores de ídolos tornam-se semelhantes a eles. As nações cristãs ocidentais, talvez se surpreendam com tantos deuses nas nações orientais. Mas a nossa realidade não é tão diferente, temos também muitos deuses  religiosos, além destes, temos outros  como o prazer, o poder, o dinheiro, os jogos, a tecnologia, o trabalho, as pessoas, os bens materiais,  as redes sociais, os vícios, os artistas famosos, a aparência, a estética, os cargos eclesiásticos   e tantos outros. Tudo que faz o homem desviar do foco, daquele que somente deve ser adorado,  é pecaminoso  ou leva à  pecaminosidade, fazendo do adorador refém da sua própria adoração.

O primeiro dos dez mandamentos é não ter nem adorar outros deuses, além do Único Deus verdadeiro, o Deus Soberano que criou o universo e todas as coisas, por isso, só Ele é digno de adoração.  Paulo  escreveu para os gentios romanos que os homens são indesculpáveis se não reconhecem o Deus verdadeiro porque todas a coisas criadas revelam este Deus, a natureza é um livro aberto que testifica que um Deus Criador está por trás das obras da  sua criação, e, por suas obras magníficas,  o seu poder é revelado, e todos o homens têm o dever de adorá-lo.

Adoração – o que é? De uma forma bem particular, adoração é relacionamento com Deus e tem como base a comunhão e intimidade com Ele,  é  reconhecer o que Deus é, a sua natureza e o seu caráter, é ter uma atitude de rendição total a Ele.  A atitude de um adorador não é apenas em ajuntamentos ou ocasiões especiais, mas  em todo o tempo. O espírito e a alma do adorador devem viver em uma fusão constante com o Espírito Santo de Deus.  O verdadeiro adorador deve viver a vida do próprio Deus, e nada que ele faça pode ser desvinculado do Deus que ele adora. “Quer comais quer bebais, ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus”. Paulo não apenas escreveu isso, mas viveu e morreu por isso, na vida e na morte glorificou a Deus. Ele entendeu o verdadeiro sentido da adoração e sua vida foi totalmente ofertada no altar da adoração. Tem-se uma vida de adorador quando nada mais importa, a não ser viver totalmente para a glória de Deus. Não somente quando se está fazendo a obra de Deus ou cantando canções de louvor na Igreja, mas no trabalho, na escola, na faculdade, fazendo compras,  em  encontro com os amigos, em momentos de lazer ou em qualquer outra situação ou lugar. Não se deve perder a sua essência, não sair do lugar de adoração, não perder o verdadeiro sentido da vida porque nada vale a pena ser vivido, se não for para glorificar a Deus. “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todas as tuas forças”.  Dt 6.5.  Então, a adoração envolve um contínuo sacrifício de louvor a Deus, com a inteireza de todo o ser, do espírito, alma e corpo.  Isso é que faz de um homem ou uma mulher um verdadeiro adorador!