O que vencer

Vivemos dias nos quais todo o mundo se volta para a maior de todas as competições esportivas, a Copa do Mundo, pelo menos no Brasil considera-se assim. De quatro em quatro anos, todos estão de olho para o novo campeão. Os jogadores treinam com afinco, cada um desejando  ser o melhor e ter o privilégio de ser escalado para o time que buscará o título para a sua nação. Apesar de tanto empenho, só um time chega no pódio como campeão.  Reconhecemos o valor e a importância dessa competição, mas  existe uma corrida muito mais excepcional que qualquer competição esportiva, e poucos atentam para ela.

O apóstolo Paulo, em sua primeira carta aos Coríntios, relaciona a vida espiritual a uma corrida , “Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? E todo aquele que luta de tudo se abstém; eles o fazem para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, uma incorruptível”. O atleta corre por uma coroa corruptível e, para ser vencedor, tem que ter muita disciplina, acompanhada sempre de muita renúncia, se quiser ser o primeiro a levar o prêmio. A vida cristã tem muita similaridade com a vida de um atleta. Jesus não apresentou uma vida fácil para aqueles que desejam segui-lo, a porta é estreita, o caminho apertado. Ele dizia que quem quisesse segui-lo, teria que negar a si mesmo e levar uma vida de renúncia. Mas esse é o caminho que leva à glória. É perder a vida, para reavê-la. Ele mesmo deu o exemplo com a sua própria vida. Para adentrar os portais eternos,  sentar-se a direita do Pai como vencedor e ser aplaudido pelos anjos, enfrentou a cruz e não temeu a morte, sendo fiel até o fim.

O apóstolo João, em sua visão do Apocalipse, recebeu do próprio Jesus instruções para as sete Igrejas da Ásia, e em todas elas com a expressão “o que vencer” ou “ao que vencer”. Não resta dúvidas que a corrida cristã é uma batalha. A salvação nos é concedida de graça, através da fé em Jesus Cristo, porém o simples fato de  sermos transportados de reino das trevas para a luz, compramos uma briga com o velho senhor, mas em Cristo somos mais que vencedores. A nossa vitória está em permanecer em Cristo e isso só é possível quando há submissão ao Senhorio de Cristo e disposição para  obedecer a sua Palavra, quando abrimos mão da nossa própria vontade para fazer a vontade de Deus. A fé verdadeira requer imprescindivelmente  uma vida transformada, uma vida com frutos de justiça.

Apesar do paralelismo  entre as competições comuns e a carreira cristã, suas diferenças são cruciais em dois pontos, uma oferece um prêmio que se corrompe com o tempo, passageiro, a outra um prêmio eterno que nada poderá corrompê-lo. Nas  competições comuns, apenas um chega ao pódio com o prêmio máximo, na corrida cristã, todos que desejam têm a oportunidade de chegar ao final como vencedor. Milhares de milhares serão coroados – o que vencer!

 

 

As marcas de Jesus

“Desde agora, ninguém me inquiete; porque trago no meu corpo as marcas de Jesus”. Gálatas 6.17

O apóstolo Paulo sofreu muitas perseguições e sofrimentos na propagação do evangelho. Na segunda carta aos Coríntios, ele fez um breve relato do que ele sofreu por amor a Deus e ao evangelho,  prisões, açoites, apedrejamento, fuga, naufrágio e outros perigos de morte, e algumas dessas perseguições foram suficientes para marcar com cicatrizes o seu corpo.

Vivemos em um país no qual não há perseguições explícitas ao evangelho, diferentemente, dos países nos quais vive a Igreja perseguida, mais precisamente, na área da janela 10×40 (faixa que se estende do oeste da África , passa pelo Oriente Médio e vai até a Ásia. A partir da linha do Equador, forma um retângulo entre os graus 10 e 40). Nem por isso, o desafio em se viver  uma vida em fidelidade a Deus, até à morte, como foi ministrado à Igreja de Esmirna, deixa de se constituir em um esforço menor nos países ocidentais . Talvez  até seja mais desafiador porque onde há liberdade, a permissividade parece atingir patamares muito maiores, levando a uma vida espiritual com desleixo e sem responsabilidades. Neste sistema no qual vivemos, as escolhas são sempre testadas. Diante do conforto que nos é oferecido, temos a tendência a levar uma vida de comodismo e despreocupação.
Um grande leque de opções  nos é apresentado constantemente e sempre escolhemos o que é mais agradável à carne e aos olhos. É muito mais fácil ficar diante de uma TV ou monitor assistindo filmes, por horas, do que tirar quinze minutos em oração, leitura da Palavra de Deus ou servindo ao próximo.

A vida do apóstolo Paulo é um grande exemplo de fé e amor a Deus.  O segredo do seu sucesso espiritual é a escolha que ele fez, depois de ter um encontro pessoal e literal com Jesus, de  ter uma vida dirigida pelo Espírito. Os cristãos vivem sob a influência de dois domínios, que cabe a cada um escolher,  o domínio da carne e o domínio do Espírito Santo. O reino que escolher para fortalecer em si  será o vencedor.  Andar no Espírito é  se permitir ser guiado pelo Espírito Santo de Deus, é escolher o caminho do amor, é escolher amar a Deus sobre todas as coisas. Sobre o amor, Paulo escreveu o mais belo poema. “O amor não busca seus próprios interesses, o amor é sofredor…” Andar no Espírito é produzir o fruto do amor, o fruto do Espírito: Amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade bondade, fé, mansidão, domínio próprio. Andar no espírito é renunciar e se enojar das podridões das obras da carne. É jogar de si toda poeira e sujidade que impedem o cristão de refletir a glória de Deus.

Paulo militou pelo Espírito, nada mais importava para ele a não ser o Reino de Deus e a sua justiça, ainda que isso trouxesse marcas profundas em seu próprio corpo. Mesmo não passando  pelos sofrimentos de Paulo e marcando o próprio corpo físico, corramos para marcar o nosso caráter com os valores inegociáveis do Reino de Deus, marcando-o  com as marcas de Jesus!

Qual o peso do seu coração?

O coração de um homem adulto pesa entre 250 a 400g. É um peso razoável para um órgão de tão grande importância no organismo. Aqui, não vamos tratar do coração do corpo humano, mas de corações que são parte imaterial da personalidade humana, dos  quais emanam os mais profundos sentimentos e suas manifestações comportamentais e que, de alguma forma, têm um certo peso.

O coração envolve a totalidade das emoções, do intelecto e da vontade humana. Jesus, falando para os seus discípulos e para a multidão que o seguia, disse que o que contamina o homem não é o que entra pela boca, mas o que sai, porque  do  interior do homem ou do seu coração  procedem os maus pensamentos que geram toda sorte de mazelas. Todos os males cometidos pelo homem  são fabricados no coração.  Além do coração gerar todas as boas e más atitudes, ele é  carregado de bons e maus sentimentos que, por mais que ele tente ocultar, sempre se manifestará na própria aparência e ações. O profeta Jeremias escreveu que o coração é enganoso,  mais do que todas as coisas, e perverso.

Existem sentimentos que trazem leveza ao coração. Um coração leve é alimentado de alegria, paz e gratidão, e isso se reflete nos relacionamentos e  até na  saúde física  do indivíduo.  Por outro lado, há corações pesados. Corações sobrecarregados pela falta de perdão, marcados pelas feridas sofridas no caminho da existência, como rejeição, abusos, traumas, desilusões e tantos outros males. Corações que preferem mergulhar no mar da amargura, da ingratidão,  da lamúria e murmuração. Um coração pesado é um coração triste, está em profundo sofrimento e fadado à morte. Esse coração sempre afasta os relacionamentos porque suas águas são amargas.  Um coração pesado vive em um estado eterno de insatisfação consigo mesmo, podendo  adentrar os limites da depressão e avançar  até o estágio mais profundo, o suicídio.

Um coração leve é um coração que encontra em tudo motivos para adorar a Deus com gratidão, é um coração livre. Não se deixa prender pelas amarras dos infortúnios da vida nem pelas prisões das circunstâncias. Um coração      pesado é cativo das próprias emoções. Sabemos que não é fácil quebrar as correntes que aprisionam o coração e se desfazer do seu peso. Apenas o agir de Deus  pode regenerar o coração e quebrar as sua cadeias. Mas, independente de qualquer parâmetro que se queira estabelecer em busca de uma solução para o peso de um coração, todos devem começar com uma atitude de humildade  para reconhecer as próprias limitações e desejo de mudança.  A seguir, o perdão, que é a chave para destravar a porta da libertação. A  busca do perdão de Deus para si, através de arrependimento,  e liberação de perdão para os outros, é alcançar a vitória e extinguir todo o peso do coração.

Qual o peso do seu coração? Hoje, você pode escolher deixá-lo  leve e livre. Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito reto. Salmos 51.10