As queixas dos homens

De que se queixa, pois, o homem vivente? Queixe-se cada um dos seus pecados. Lm 3.39

Os dias atuais são marcados pelo desejo de ter. As pessoas são avaliadas pelo que elas têm, neste caso, o “ter” sempre sobrepuja o “ser”. Isso leva o ser humano a uma corrida sem fim para adquirir bens materiais, sim, para se autoafirmar e encontrar lugar de destaque nessa sociedade decaída. Mas esse comportamento leva a crises porque não satisfaz os anseios mais interiores. A ditadura do ter é cruel e sua medida é sempre inalcançável, gerando insatisfações e um inconformismo infindável: “não tenho isso ou aquilo”, “a sorte não bateu a minha porta”, “quem me dera ganhar na loteria!” “como é ruim desejar uma coisa e não ter dinheiro para comprá-la”, dentre muitas outras expressões semelhantes.

Quando o homem guia a sua vida por uma lente embaçada e se desvia do verdadeiro sentido de sua existência, leva uma vida de lamúria por seu insucesso, e a amargura começa a permear as suas atitudes. Em primeiro lugar, ele procura encontrar culpados por suas insatisfações, esquecendo-se que cada um é responsável por suas próprias escolhas. Vivemos hoje o que escolhemos no passado. Não adianta culpar o sistema ou o governo, os pais, os filhos, o cônjuge ou o amigo. A reclamação é uma linha tênue entre a justiça e a injustiça, entre o certo e o errado, é correr o risco de penetrar no campo minado pela inveja e a amargura. O próximo passo é culpar Deus, atribuindo-lhe a Ele todas as injustiças sofridas na caminhada. Nesse ponto, o inimigo tem alcançado o seu objetivo, criar no coração do homem uma desconfiança e descrença quanto à pessoa do Deus Soberano. Deus, independente das crises existenciais dos homens, Ele é bom e justo, nEle não se encontra nenhum engano, erro ou injustiça. Ele é o único que pode dar um escape para a necessidade e anseios interiores, se houver um distanciamento dEle, o homem adentra em um beco sem saída, a menos que, através do arrependimento, retorne para o único caminho da sua salvação. Para isso, o homem precisa ter consciência que está trilhando um mau caminho, desejar uma reformulação da sua vida, decidir trilhar o caminho de volta, vestir-se da capa da humildade e entrar no caminho. O caminho para Deus não pode ser trilhado com orgulho. O sucesso nesse caminho depende de uma vida constante de total quebrantamento e dependência de Deus.

Uma razão forte porque as pessoas não têm respostas de suas orações é porque suas petições são feitas com motivos errados, marcados pela cobiça e a inveja. Tg 4.1-10. Deus é Deus, nós somos servos, e Ele como Senhor requer obediência. Ele é Deus de princípios. Se alguém despreza a Sua Palavra, não a lê, não medita nela, então, não a conhece, desconhece também a Deus e como Ele age. Os “sabem tudo” não precisam conhecer os mistérios de Deus. Eles desconhecem que oração é relacionamento com Deus, não uma lista de desejos. Quando há relacionamento com Deus, há direcionamento divino em tudo que se faz e, se verdadeiramente há dependência dEle, as coisas fluem, podendo haver resistência e obstáculos a serem rompidos, mas a vitória é certa.

O caminho da graça de Deus é trilhado sobre as pedras da gratidão. Não há gratidão sem humildade. Toda arrogância é pecado, o orgulho leva o homem para uma vida independente e distante de Deus, e isso precede a queda e a ruína. O orgulho não reconhece Deus como o autor de todo o bem que naturalmente nos outorga. O orgulhoso vangloria-se de suas próprias realizações, suas orações são alicerçadas em desejos próprios e com motivações desvinculadas da direção de Deus, e Deus não tem compromisso em atendê-las.

Com um coração arrependido, queixe-mo-nos não dos outros nem de Deus, mas de nossos próprios pecados, de escolhermos uma vida de insubmissão à vontade de Deus.

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